Já contou história para fazer os filhos dormirem? A incumbência parece fácil: basta pegar um livro infantil e pronto! Nem tanto. “É preciso ser verossimilmente inverossímil”, escreve Luiz Gustavo Vieira, autor do livro “De Pai pra Filhas – O que um Pai Diz às Filhas Quando a Mãe Não Está por Perto” (MRN Editora). Geralmente, lembra o escritor, o final das histórias é determinado pela voz que vem do quarto ao lado: “É hora de dormir!”. A voz, por sinal, é da mãe.
 
Relatos como o de Vieira, que buscam – com uma dose de humor, é verdade – registrar a relação entre pais e filhos, virou um sub-gênero nas livrarias após nomes como o catarinense Marcos Piangers (“O Papai Pop”) e o carioca Thiago Queiroz (“Paizinho, Vírgula”) se transformaremem de gurus no assunto ao abordarem o papel de pais na educação dos filhos em páginas virtuais. Vieira seguiu caminho semelhante, depois de postar pequenas histórias na web sobre como é ser pai de duas meninas gêmeas.
 
“De Pai pra Filhas” não é um compêndio de atos heroicos, apontando para um super pai. O mais importante é o aprendizado recíproco. “Eu aprendi muito com minhas filhas. Elas me ensinaram a ser pai”, comenta. É no aprendizado de gostos, manias e comportamentos longe das mães que boa parte dos livros sobre paternidade apostam.
 
“No início, foi extenuante. Fiquei noites sem dormir. Senti muito fisicamente. E passamos a não ter mais vida pessoal. Fica impossível, para o casal, viajar ou sair à noite. O que não quer dizer que não valeu a pena. A sociedade é um tanto hedonista e preza muito o prazer, achando que, ao cuidar dos filhos, abre-se mão de certas coisas”, salienta Vieira.
 
De Pai pra Filhas” será lançado dia 25, de 11h30 às 13h30, no Café com Letras (Rua Antônio de Albuquerque, 781, Savassi)
 
Mitos
Queiroz, que criou o blog “Paizinho, Vírgula” em 2013, destaca que qualquer vínculo requer trabalho e presença – “Não só fisicamente, mas emocionalmente também”, sublinha. Até o primeiro filho chegar, Queiroz admite que carregava pensamentos machistas como o de que a mulher já nasce com a função mãe ligada. “É um processo de desconstrução e de mergulhar na paternidade. E você descobre descobrindo”, pondera. 
 
Ao criar o “Paizinho, Vírgula”, Queiroz não tinha como objetivo sensibilizar os pais. “Era mais uma vontade de botar para fora, já que outros pais não estavam falando”, conta. Curiosamente, observa, a maioria de seus leitores é formada por mulheres. Incomodado com estes números, chamou dois amigos para criar um podcast e falar de suas experiências, chamando a atenção da ala masculina. “Agora estou tranquilo”.