A partir de um livro de perguntas e respostas com o qual se deparou nos EUA, em 2008, o dono de uma editora teve a ideia de criar um formato de leitura capaz de gerar interação entre duas ou mais pessoas. O propósito da criação já ficou bem claro no título da série “Puxa Conversa”, de 2009, primeira da coleção e ideia do dono da editora Matrix, Paulo Tadeu. Parece até baralho na caixinha. 

Dez anos e 100 livros-caixinha depois, perguntas como “O que viajar significa para você?” e “Qual a palavra mais interessante em outro idioma que você aprendeu?”, o “Puxa Conversa Viagens”, de Juliana de Mari e Maurício Oliveira, chama a atenção pelo desenho em formato do nosso passaporte –ainda na versão do Mercosul. A coleção em caixinhas aborda ainda temas como filosofia, música, cinema, comida, coaching, futebol, oratória, astrologia, mindfullness (atenção plena) e até mesmo frases para praticar o espanhol.

Alguns livros propõem exercícios, como completar uma história a partir de um início escrito na carta, ou uma questão feita em cima de um trecho do livro milenar “A Arte da Guerra”, de Sun Tzu. “Esse formato de cartas, sendo tiradas uma por uma de forma aleatória, tem aspecto mais lúdico, coisa que o livro tradicional não daria a possibilidade”, diz Paulo Tadeu, que revela ter enfrentado resistência das livrarias, “que não sabiam o que fazer com esse formato, o que se resolveu com o tempo”. 

Tadeu frisa ainda que as dimensões do livro-caixinha favorecem muito o uso por pais. “Um retorno muito positivo que recebi foi de mães elogiarem o fato de ser ótimo para levar na bolsa, para quando estão com o filho no carro ou fila do banco, ter uma alternativa de entretenimento que sai da tela do celular”.

A aposta em novos formatos é uma boa saída para atrair a atenção do público, avalia o presidente da Associação Nacional de Livrarias, Bernardo Gurbanov, que entende que cada editor faz uma aposta necessária para o mercado, em busca de novidades. 
“O livro concorre cada ver mais com outras opções de entretenimento e todo material que estimule a interação e desafie o leitor a resolver problemas é muito válido”.

TERAPÊUTICO

Os mais vendidos são os livros de psicologia. Tanto que os autores que mais participaram foram as psicólogas Regina Lopes e Roberta Nascimento, respectivamente mãe e filha, responsáveis por dez desses livros. “Nossas caixinhas sempre têm uma base teórica envolvida. Dentro da psicologia cognitiva, propõem uma dinâmica, estimulam a conversar sobre determinado assunto e permitem um acesso valioso para terapeutas”, explica Regina Lopes.

Psicóloga e proprietária de uma livraria especializada em títulos da área, Márcia Rabello vê os livros-caixinha como uma tendência de momento. “Hoje respondem por 30% das minha vendas, um fenômeno semelhante à febre dos livros de colorir”, diz, em referência ao segmento que teve um boom há quatro anos.