Eles subiram no palco 45 minutos depois do horário previsto, mas para os 15 mil fãs que esperaram por três anos para ver o reencontro dos integrantes de uma das mais importantes bandas da música contemporânea brasileira, minutos de atraso não passaram de um pequeno contratempo.
 
Quando Marcelo Camelo deu o tom do primeiro acorde de "O Vencedor", toda a Esplanada do Mineirão parou para cantar: além dos fãs que desembolsaram uma boa grana, a turma que limpava a cada cinco minutos o chão, os vendedores de comida e camiseta, os atendentes que trabalhavam no bar, jornalistas, assessores, produtores e até os seguranças à beira do palco.
 
A partir das 21h45, Los Hermanos mostrou porque, mesmo após o anúncio do "recesso por tempo indeterminado" (em 2007), continua sendo um dos grupos mais admirados do país. A contragosto de alguns é indiscutível dizer que o trabalho e o talento dos barbudos que, entre idas e vindas soma 18 anos de estrada, ultrapassa qualquer desacerto entre seus integrantes.
 
 

 

No palco, Marcelo, Amarante, Barba e Bruno Medina levaram o público ao delírio não apenas pelas duas horas de show (que passaram voando), nem por terem feito um set list impecável (29 canções, 29 hits), mas sobretudo porque transpiraram alegria e revelaram uma empolgação contagiante: trocaram risadas, conversaram com o público, lembraram que BH foi uma das primeiras cidades a receber a banda depois dos primeiros sucessos no Rio de Janeiro.
 
Ao que tudo indica, o ar que cada integrante respirou ao longo do hiato de três anos longe do palco juntos, lhes concedeu não apenas fôlego para uma turnê que ainda tem muito chão pra correr, mas a certeza de que "é preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê".