Um quarto escuro onde coabitam estados marcados pela presença e pela ausência de luz. É neste ambiente que o espetáculo de dança “Luminescência”, em cartaz neste final de semana no Teatro Francisco Nunes, traça uma jornada de busca ao autoconhecimento. Idealizado pela bailarina e professora Deborah Lopes, a obra surgiu das próprias experiências e vivências da artista e, também, de seus escritos – muitos deles inspirados na psicoterapia.

“A partir deles fui juntando um rascunho e comecei a pensar no que poderia ser esse espetáculo. Vi que ele tinha muito a ver com questões de ausência e presença, de um início de uma trajetória de autoconhecimento, da turbulência que isso pode gerar, mas da vontade de encontrar uma plenitude”, explica.

A bailarina pontua que a jornada traçada no espetáculo foge de uma visão romantizada. “Colocamos em cena a consciência de que você pode viver dentro do caos. Em termos políticos é isso que estamos vivendo e que o fazemos com isso? Como olhamos para isso e como nos deixamos ser afetados por isso?”, sublinha Lopes, evidenciando os questionamentos trazidos pela obra.

Coletivo

Apesar de ter começado dos próprios escritos de Lopes, o espetáculo ganhou nuances coletivas quando ela apresentou a proposta para a equipe da HIATO ARTEMOVIMENTA, escola de dança da qual é professora. “Escrevemos a escola no edital de ocupação do Teatro Francisco Nunes e cada um foi trazendo um pouco da sua própria jornada de autoconhecimento para o projeto”, diz a bailarina.

No espetáculo são colocados em cena bailarinos profissionais e bailarinos em formação – todos alunos adultos da escola, a maioria mulheres com idades entre 30 e 55 anos. “Para tornar o espetáculo plástico, trazemos uma movimentação mais genuína, sem ficarmos presos a estruturas técnicas. Assim, conseguimos que ele fosse mais visceral”, afirma Lopes. Além do diálogo entre profissionais e amadores, “Luminescência” coloca também no palco bailarinos vindos de várias escolas – do balé clássico às danças urbanas.

Para a bailarina, toda essa mistura traz uma potência ainda maior para o espetáculo. “É uma troca, temos a parte técnica somada a vivência e a experiência com a dança de cada um, trazendo uma perspectiva que fala sobre isso do sentir, não de ser representativo, mas de v viver e trazer uma história que é sua e colocar na cena”, ressalta.

Lopes destaca ainda o desafio de apresentar o espetáculo em um final de semana de eleições – principalmente as atuais, tão polarizadas. “Tem sido delicado, o teatro fica em um local central da cidade, mas todo mundo se dispôs a apresentar como um ato de resistência. A nossa voz é o nosso corpo também”, acredita.

O espetáculo da escola de dança HIATOARTEMOVIMENTA ocupa o Teatro Francisco Nunes (Parque Municipal – Av. Afonso Pena, s/n – Centro), no sábado, às 19h30, e no domingo, às 20h. Os ingressos custam R$ 20.