“Luta por Justiça” não é um filme que trata apenas de racismo. Ao mostrar a história – baseada em fatos reais – de um homem negro que entra injustamente no corredor da morte, devido a uma sucessão de erros arbitrários que o ligam ao assassinato de uma jovem de 18 anos, a produção que entra em cartaz hoje nos cinemas também está abordando a manipulação da verdade.

O tema não poderia ser mais atual, em época de fake news, aparelhamento ideológico e discursos de ódio. O roteiro acerta ao avançar a narrativa em duas frentes: a linha emocional, proporcionada pela destruição da vida de um homem de bem; e um olhar mais amplo em torno do que é Justiça, que não está isenta dos valores distorcidos defendidos por certa parcela da sociedade.

Estes dois olhares passam pela conduta do advogado Bryan (Michael B. Jordan, de “Creed” e “Pantera Negra”), que resolve atender réus pobres e negros e condenados à morte por enxergar o descaso da Justiça com eles. Além de tirarem deles a possibilidade de uma defesa justa, muitos são os erros de investigação e judiciários gerados apenas por uma questão de cor de pele.

Questões que têm eco no Brasil de hoje são tratadas com sobriedade, sem deixar o filme cair no artifício da emoção fácil. À injustiça sofrida por McMilliam (Jamie Foxx), o texto contrapõe com a luta incessante de Bryan para mostrar um sistema falho e preconceituoso. Para isso, ele não precisa exibir nenhum discurso de Martin Luther King ou Malcom X, apenas apontando para a manipulação.

Jordan tem uma atuação soberba, sem precisar exibir um ar heroico em sua composição. Como observa a personagem de Brie Larson, no papel de uma advogada assistente, Bryan trata os seus clientes como pessoas de sua família. E basta ver o olhar de Jordan, a maneira como aperta os lábios e enrijece a musculatura facial para ver ali uma verdade.