Método de organização criado por japonesa vira fenômeno mundial em livro

Thais Oliveira - Hoje em Dia
24/05/2015 às 08:59.
Atualizado em 17/11/2021 às 00:11
 (NATSUNO ICHIGO/ DIVULGAÇÃO)

(NATSUNO ICHIGO/ DIVULGAÇÃO)

Corra para o quarto e pegue aquele perfume dado pelo ex-namorado. Segure firmemente o vidro. Agora, pergunte a si mesmo: “isso me traz alegria?”. Somente continue com ele se a resposta for “sim”. Faça o mesmo com cada peça do guarda-roupa e com os demais itens da casa. Se a meta for deixar tudo arrumado, você deve começar descartando tudo que não te faz bem. Pelo menos é o que afirma a “guru” da organização, a japonesa Marie Kondo, no livro “A Mágica da Arrumação”.

A publicação chegou este mês às livrarias brasileiras, pela Editora Sextante, mas já é um best seller e figura constante no topo da lista do New York Times e da Amazon. Em todo mundo, mais de dois milhões de exemplares foram vendidos.

Hoje com 30 anos e uma lista de espera de três meses para quem quer contratar a sua consultoria, KonMari, como também é conhecida, conta que não construiu o seu método do dia para noite, como alguns possam pensar. Enquanto os amigos se divertiam na escola, ela se prontificava a arrumar os livros nas prateleiras. “Comecei a me interessar por revistas femininas sobre assuntos domésticos aos 5 anos de idade”, diz.

Método
O interesse precoce a fez querer se aprofundar, aos 15 anos, em estudos para organizar ambientes. Porém, nada do que aprendia a satisfazia. Mesmo após três anos se dedicando arduamente a organizar a casa, um dia, KonMari afirma ter entrado em pânico ao abrir a porta do seu quarto e “sentir” tudo bagunçado.

“Naquele instante ouvi uma voz interior: ‘Olhe com mais atenção’. (…) Com esse pensamento, adormeci deitada no chão. (…) Quando acordei, soube imediatamente o que a voz em minha cabeça queria dizer”. Assim, num insight, surgiu a concepção de arrumação que promete transformar a vida das pessoas.

“Acho que a singularidade do meu método é que ele incentiva as pessoas a manter somente aquelas coisas que despertam alegria, as coisas que fazem você feliz. Isso traz uma grande mudança, o que pode incluir as relações e ambientes de trabalho”, disse KonMarie ao Hoje em Dia.

O sucesso da japonea foi tão grande que, nas redes sociais, “Kondo” virou verbo e é usado quando alguém consegue arrumar (ou “Kondar”) algo.

‘A ideia é diminuir a quantidade de itens em casa e não comprar mais’, ensina

Entre tantos pontos abordados por KonMari está a ineficácia dos produtos especiais para organização – amplamente recomendados por profissionais da área de todo o mundo. “A ideia é diminuir a quantidade de itens em casa e não comprar mais”, ensina.

Ela acrescenta, ainda, que os organizadores, não raras vezes, apenas tiram a bagunça de vista, pois após certo tempo, os mesmos lugares acabam ficando abarrotados de coisas. “É por isso que a organização deve ser iniciada pelo descarte. Precisamos exercitar o autocontrole e resistir à tentação de guardar os objetos até que tenhamos identificado aqueles de que realmente necessitamos”, reforça.

TEORIA X PRÁTICA
A proposta, porém, não é bem vista por outros profissionais. “Essas coisas só funcionam em livros”, opina a personal organizer Ângela Vianna, 59 anos, da Oficina do Lar, localizada em Belo Horizonte.

No mercado da arrumação há quase 11 anos, Ângela não acredita ser possível fazer um bom trabalho da forma indicada por KonMari. “As calcinhas, por exemplo, por mais que você as dobre, ficam soltas dentro da gaveta. Sem uma colmeia (divisória) fica impossível conservá-las arrumadas. E dá para comprar organizadores baratos, pois o meu trabalho é contribuir, e não fazer a pessoa gastar”, pontua.

Micaela Góes, do programa “Santa Ajuda” (GNT), aprova critérios de KonMarie. A apresentadora e personal organizer, 40 anos, é outra adepta dos chamados organizadores.

No entanto, ela diz não fazer da ferramenta uso obrigatório. “Proponho o recurso de caixas, ganchos, prateleiras... Essas coisas são facilitadores, mas nem sempre são necessárias se a pessoa tiver um bom armário e espaço. Não acho que seja preciso comprar mais coisas, mas, sim, completá-las na medida da necessidade”, esclarece.

 

Micaela Góes, do "Santa Ajuda", programa da GNT, também ensina como organizar a casa. Foto: GNT/Divulgação

 

PONTO DE PARTIDA

Há mais de uma década na profissão, Micaela diz que experimentou diversos métodos até construir o seu próprio e concorda com a visão de KonMari que a melhor forma de iniciar a arrumação é pelo descarte. “O descarte é o ponto de partida. Abrir mão do que não te serve ou não tem utilidade na sua casa é como abrir mão do velho e dar espaço para o novo”, afirma.

Micaela ensina que, após eliminar os objetos desnecessários, o segundo passo é encontrar o lugar certo para guardar os que ficaram. “Tem que ser um local onde toda a família terá facilidade de encontrá-lo”, diz.

Arrumação finalizada, o terceiro passo é criar o hábito de manter a casa em ordem. “É como um ciclo: quebrou? Conserta ou joga fora. Sujou: Limpa. Usou? Volte a colocá-lo no lugar”, frisa.

“A capacidade de organização todos têm, basta desenvolvê-la. Claro, ninguém precisa ser profissional nisso, mas garanto que se tentar, vai ver como tudo fica mais fácil no dia a dia. É libertador”, conclui.

   

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