Para celebrar dez anos de atividade, o Clube do Choro de Belo Horizonte vem realizando ações desde o dia 17 de abril. A cereja do bolo vem esta noite, quando os músicos do projeto sobem ao palco do Grande Teatro do Palácio das Artes com ilustres convidados: os bandolinistas Hamilton de Holanda, 

Hélio Pereira e Ian Coury, que é uma jovem revelação do choro brasiliense. Vários músicos devem passar pelo palco, todos representantes da rica cena do choro da capital mineira: o violonista Silvio Carlos, o trombonista Marcos Flávio, o violonista Lucas Telles, entre outros. Haverá, ainda, uma participação do radialista Acir Antão, que fará uma homenagem a Mozart Secundino, violonista que morreu em novembro passado aos 92 anos. 

Chico
Hamilton de Holanda é, inegavelmente, o grande chamariz da apresentação. Virtuoso e envolvido em vários projetos, o artista acaba de lançar o disco “Samba de Chico” (Biscoito Fino).

Ali estão versões para 14 composições de Chico Buarque, parte apresentada de forma instrumental, parte em forma de canção – “A Volta do Malandro” e “Vai Trabalhar Vagabundo” ganharam a voz do próprio Chico Buarque. Há ainda a voz da espanhola Silvia Perez Cruz em “Atrás da Porta” e “O Meu Amor”.

Hamilton conta que o repertório foi escolhido afetivamente. “O principal desafio foi conseguir encontrar emoção e poesia ao tocar música instrumental. Algumas músicas eu fiz de olho nas poesias. Lia, relia, para depois pegar o bandolim e encontrar a emoção certa”, conta. 

Melodista
“Samba de Chico” é a prova de que a genialidade de Chico Buarque não está apenas nas palavras. “Ele é um grande criador de melodias e harmonias. A música nos provoca emoções que muitas vezes não sabemos explicar com palavras. Tem músicas que nos fazem sentir amor, saudade, lembrança. O Chico é craque nessa sinestesia”, diz Hamilton, lembrando que o repertório contempla parcerias de Chico com outros dois geniais melodistas: Tom Jobim e Francis Hime. 

Contato
Hamilton é fã de Chico desde que se conhece por gente. Quando criança, já tocava “Carolina” no bandolim, inspirado pela versão do Conjunto Época de Ouro (grupo de Jacob do Bandolim). 

O primeiro contato com o ídolo foi, aproximadamente, em 2002, quando jogaram bola juntos. Já o primeiro encontro no estúdio e no palco foi por conta da música “Sou Eu”, gravada por Diogo Nogueira. 

Para “Samba de Chico”, foi Hamilton quem procurou o ídolo e sugeriu a interpretação das músicas que falam das figuras do malandro e do vagabundo. “Ele topou na hora, foi muito receptivo”, celebra o bandolinista. 

Serviço:

Clube do Choro de BH convida Ian Coury, Hélio Pereira e Hamilton de Holanda no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro), hoje, às 20h. Ingresso: R$ 40 e R$ 20 (meia)