Realizado anualmente na Bélgica, o Tomorrowland é o maior festival de música eletrônica do mundo. Nunca recebeu um brasileiro em seu palco principal, onde tocam os DJs mais cultuados e caros do mundo. Até agora. No próximo dia 24, o mineiro Felipe Augusto Ramos, o FTampa, sobe ao grande palco e se tornará o precursor da cena eletrônica nacional nesse importante espaço. 

Mas essa não será a primeira vez em que a música de FTampa será tocada no palco principal do Tomorrowland. Há três anos, seu maior hit, “Kick it Hard”, foi tocado pelo top DJ holandês Hardwell – fato fundamental para que a carreira internacional desse mineiro de Conselheiro Lafaiete – radicado em Belo Horizonte – deslanchasse. 

FTampa já tocou em grandes festivais de música, como o Lollapalooza de São Paulo e o Rock in Rio de Las Vegas



O mais engraçado é que, quando FTampa criou “Kick it Hard”, acreditou que a música não iria tão longe. “Fiquei muito inseguro. Eu fazia um som mais bravo e estaria caminhando para um lado mais comercial, fiquei com medo da reação dos meus fãs. Cheguei a pedir para a gravadora tirar a música do ar”, lembra. 

Em um momento clímax da insegurança, FTampa abriu o computador para assistir a transmissão ao vivo do Tomorrowland de 2013. “Foi quando eu vi o Hardwell tocando a música, fazendo uma mistura com uma do Nirvana. Achei animal! Depois, quando fui ver, o mundo inteiro estava falando dela”, conta o DJ, que já teve suas músicas tocadas por famosos, como Calvin Harris e David Guetta.

Rock
A relação de FTampacom a música começou pelo rock e foram muitos anos atuando em bandas não muito promissoras. Até que, em 2010, um amigo lhe sugeriu criar música eletrônica. Poucos meses depois das primeiras experiências, ele já tinha contrato fechado com uma gravadora especializada. 

Esse passado como roqueiro tem sido muito útil para o trabalho na música eletrônica, especialmente porque agora FTampa tem experimentado criar músicas utilizando não o computador, mas instrumentos de banda – guitarra, violão, baixo, bateria, piano – que ele mesmo toca. 

“Quero fazer uma coisa diferente no Tomorrowland, fazer história. Gosto de tocar instrumentos, timbrar, microfonar, isso me deixa empolgado”, diz FTampa. “Faz toda diferença o DJ ser músico. Um cara que não conhece música pode até fazer uma criação eletrônica, mas não vai ser boa e ele não vai se manter no mercado”. 

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