Há uma certa justiça na guerra, que se ausenta por completo nos tempos de paz. Essa inversão é o que mais chama a atenção na nova adaptação cinematográfica de “Macbeth”, peça de Shakespeare que é destaque entre as estreias da semana. O subtítulo “Ambição e Guerra” dá bem essa medida, como se estivessem em lados opostos. Interpretado por Michael Fassbender, em outra grande atuação, Macbeth surge como um guerreiro leal e querido ao fim de uma grande contenda, ganhando a confiança do rei.

Mas quando esse esforço de guerra se desfaz e cada um retoma seu papel no reino (a Escócia), a “luta” se dá em outro espaço, entre sussurros e maquinações não pautadas pela disputa legítima, diferentemente da cena que abre “Macbeth”, em que vemos um corpo-a-corpo franco.

A sujeira, neblina e o filtro vermelho adotado pelo diretor Justin Kurzel encobrem rostos e corpos, transformando a batalha numa massa pouco definida. Mas se pensamos na gratuidade e na barbaridade dessas ações, elas se tornam, de certa maneira, mais “limpas” pouco depois.

A sujeira sai dos corpos para as frases que antecedem uma grande traição e que, posteriormente, tentam esconder os crimes com outras atrocidades, já não mais justificadas pela ambição de poder, e sim pela loucura. A neblina permanece, agora como um registro da confusão mental de Macbeth.

E o vermelho que mancha a fotografia não nos alerta mais para a sanguinolência da guerra, mas sim sobre a necessidade de botar um ponto final em tanto totalitarismo. Essa é a grande mensagem deixada pelo filme, que tem ainda Marion Cottilard no papel da esposa manipuladora.

Kurzel diminui a distância entre um homem destemido e carismático e um ditador cruel e egoísta, mostrando o quão frágil é a natureza humana, que só retoma a sua ética e lucidez na guerra final, em que os códigos de postura se fazem prevalecer novamente. Um pouco excessivo em seus recursos gráficos, usados também para “atenuar” (ao, paradoxalmente, se acentuar a brutalidade) uma narrativa que nos envolve fundamentalmente pela palavra, “Macbeth” aponta para o horror do homem quando está sozinho com seus fantasmas.
 
Alvin cai na estrada no quarto filme da franquia


Em seu quarto filme, a franquia “Alvin e os Esquilos” continua a alertar sobre o mundo perigoso dos adultos, que ora querem extrair, à força, todo o benefício que bichinhos cantantes podem oferecer (leia-se: cifrões), ora só pensam em se vingar.

Nesse último caso está o nervoso agente de segurança que passa a trama inteira do novo longa, que também estreia nesta quinta (24) nos cinemas, tentando privar os esquilos de divertimentos, canalizando seus traumas no impedimento da felicidade do outro.

Tão caricato quanto o produtor musical dos episódios anteriores, esse vilão faz o contraponto a David, um dedicado “pai” que só quer o bem dos seus “filhos”.

O filme enaltece essa mensagem, que é nobre, sobre um conceito diferente (e atual) de família.

Mais do que “Pequeno Stuart Little”, no qual um ratinho integrava uma família de humanos, essa definição tem um quê de ousadia, pois o solteiro David exerce uma paternidade não atrelada a papéis divididos (a necessidade de uma mãe).

Boa parte das histórias infantis – e podemos remeter aos contos de fadas – está muito vinculada a relações de consanguinidade. É a madrasta de Branca de Neve que lhe quer fazer mal. E “Pinóquio”, uma das poucas exceções, vira sinônimo de provação. Apesar de peraltas, os esquilinhos são como crianças normais, que querem apenas se divertir. E é essa “normalidade” que parece incomodar os outros personagens.