Há sete anos, Fabio Mechetti vive em uma ponte aérea entre Minas Gerais e a Flórida, para estar à frente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, que comanda desde 1999. Mas essa realidade deve mudar a partir do segundo semestre. É quando termina o contrato do maestro com o projeto norte-americano e sua dedicação passará a ser exclusiva para o trabalho desenvolvido em Belo Horizonte.

Essa é uma das informações que constam da entrevista da Página 2, que será publicada na segunda-feira (7), no Hoje em Dia. Nela, Mechetti explica que as principais diferenças entre as duas orquestras que conduz centram-se nos diferentes modelos de financiamento à cultura no Brasil e Estados Unidos. Enquanto aqui contamos com dinheiro público, lá a sobrevivência do projeto se deve à bilheteria. 
 
“Como as orquestras americanas são totalmente financiadas pelo sistema privado, há muita oscilação. Se a economia vai bem, as orquestras vão bem. Se a economia está mal, várias vão à bancarrota. A orquestra de Filadélfia quase foi à bancarrota. A de Minnesota ficou um ano e meio sem tocar, por causa de corte de salários. Isso gera uma certa desconfiança do músico em relação ao futuro dele”, afirma o maestro.
 
A grande vantagem das orquestras americanas sobre tantas outras de todo o mundo está no investimento dos Estados Unidos na formação de músicos. “Os músicos americanos, na minha opinião, são os mais bem treinados do mundo para orquestra. Nas mais de 200 orquestras profissionais do país, há uma competição muito grande entre músicos. Se aparece uma vaga de trompete numa orquestra de médio porte, como Jacksonville, aparecem mais de 10 candidatos”.