A música italiana ganhou o mundo no final dos anos 1950 e início dos 60. No Brasil, era uma febre. E que tal reviver esses clássicos agora com roupagem pop e bossa nova. Esse suingue bem brasileiro e moderno só é possível graças ao mais recente trabalho da cantora italiana Mafalda Minnozzi – o DVD “Spritz Dal Vivo”, cujo show acontece esta noite, no Teatro Bradesco. 

No repertório, clássicos italianos como “Metti Una Sera a Cena”, “Breve Amore”, “Nessuno”, “Sacumdí, Sacumdá”, “Come Prima”, “Il Cielo in una Stanza”, “Il Mare Dell’Amor” e “Amore Baciami”, de compositores como Renato Consorte, Umberto Bindi, Domenico Modugno e Paolo Conte.

É a própria Mafalda que dá a medida exata desse som que o público local poderá conferir. “Trata-se de uma releitura. Mas não é nada melancólica, não tem nada disso, desse romantismo para chorar o tempo todo; não tem apelação. É uma releitura moderna pop, bossa nova. Mas tudo feito com o olhar bem atento, com respeito à composição original, com sua melodia e harmonia”, ressalta.

A cantora diz que não é novidade essa ligação estreita com a música brasileira. “Não sou aquela cantora estrangeira que vem aqui somente em uma ou duas capitais pegar o cachê e vai embora. Tenho um relacionamento forte com muitos artistas brasileiros. Desde 1966, faço esse trabalho de integração cultural entre esses dois países”, destaca. E acrescenta que Flávio Venturini e Fernanda Takai só ficaram de fora dessa apresentação por terem compromissos no mesmo dia.

Com a construção desse novo trabalho – o DVD foi gravado no Ibirapuera (SP) e contou com as participações de Simoninha, Toninho Ferragutti, Isabella Taviani, Bocato, Alexandre Ribeiro e Coral Dó Re Mi de Crianças de Petrópolis –, Mafalda mergulhou em suas raízes familiares e na sociedade italiana pós-Segunda Guerra Mundial. Os anos dourados da cultura do país da Bota – o neo-realismo no cinema e a música.

“Esperei a vida toda para fazer esse projeto que é muito complexo e envolve grandes compositores que escreveram as mais lindas páginas da música italiana, que não chegaram ao Brasil. E a influência que tiveram na sociedade italiana, cresci ouvindo eles”, explica. Além de soltar a voz, ela conta essas histórias, dando um toque íntimo ao show.

“A Itália aqui”

Mafalda já apresentou esse mesmo projeto durante a Copa do Mundo nas cidades em que a seleção italiana jogou. Assim, já rodou por quase todo o país, passando por São Paulo, Rio de Janeiro e o Nordeste. E ficou feliz com a reação do público.

“Você pode ir na Itália sem passar na alfândega, não precisa de passaporte”, diz a artista, que espera também pelo calor do público mineiro. “Pela percepção que tenho o povo mineiro é muito atento à cultura de outros países”.