Incumbida de dirigir o texto de Assis Benevenuto, construído a partir de depoimentos de mulheres reais, e referentes à maternidade, Grace Passô concluiu que a iniciativa lida “com mar de vozes”. “Como em um mar, você não consegue ver o fim”, diz Cris Moreira, integrante da Zula Cia de Teatro, que estreia nesta sexta (27), na Funarte MG, “Mamá!”.
 
“A gente tentou ao máximo contemplar todas as vozes”, acrescenta Cris, referindo-se, no caso, às mulheres que, dentro do projeto “Madre”, que precedeu a montagem, deram seus depoimentos sobre um lado da maternidade ao qual poucos holofotes são direcionados.
 
“A ideia foi falar de lugares da maternidade sobre os quais nós não falamos, lugares além dos mitos do amor materno, e que fazem com que muitas mulheres se sintam excluídas, às vezes sem conseguir compartilhar sentimentos com os próprios parceiros – caso da mãe que tem depressão pós-parto, por exemplo. Em síntese, a busca por histórias não romantizadas”, acrescenta Cris.
 
Ao todos, foram 150, as mulheres a darem seu depoimento. O chamamento, lembra Cris, foi feito por jornais e redes sociais. “Além das histórias vindas por e-mail, foram três workshops feitos em três centros culturais, o que foi bacana pelo fato de, no grupo, termos mulheres de diversos perfis”. Ao final, a conclusão do grupo é que, independentemente de classe social ou faixa etária, essas histórias são reais, presentes.
 
“Em cena, o espectador não vê personagens prontos, vê histórias, que tocam em lugares frágeis, delicados, e assim o texto foi construído, para que tivesse a potência de relatar coisas que as pessoas não querem dizer – e que existem – e a delicadeza para dizer a essas mulheres que sim, estamos juntas”.
 
“Mamá!” – Zula Cia de Teatro. Desta sexta a 6/12, sessões às quintas, sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 19h. Funarte (Rua Januária, 68). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Informações: 3213-3084