Marco Paulo Rolla reconhece que este ano vem sendo particularmente rico no que diz respeito aos reconhecimentos. Merecidos, diga-se de passagem. Afinal de contas, são três décadas de bons serviços prestados à arte, e em diferentes suportes. Nesta quarta-feira, dia 18, o artista abre, no Memorial Minas Vale, a exposição "Cama, mesa e escada", que disponibilizará, ao olhar do público, tanto obras inéditas quanto outras já exibidas - e que, agora, passam a ocupar diversos espaços do equipamento que integra o Circuito Cultural Praça da Liberdade. Entre os vários suportes que deram calço à imaginação do artista, a mostra apresenta projeções, fotografias, objetos e esculturas, desenhando um trajeto pelo trabalho de Marco Paulo Rolla, que, vale lembrar, é pintor, desenhista e artista performático, natural de São Domingos do Prata, interior do estado, mas com projeção em todo território nacional. A exposição fica em cartaz até 28 de fevereiro de 2016, com entrada gratuita. Confira, a seguir, o bate-papo de Marco Paulo Rolla com o Hoje em Dia.

O título de sua mais recente mostra é, claro, instigante... Qual o objetivo, em linhas gerais?

"Cama, Mesa e Escada" é o título de uma performance que está sendo exibida em vídeo em uma das galerias. Ela mostra um ser humano objetificado em cima de um colchão de casal, onde mesa, cadeira e uma escada de alumínio se movimentam como uma engrenagem, numa simbiose. Assim como na vida, o ser humano esta atrelado aos objetos, objetificado pela indústria, e, na maioria das vezes, o faz sem consciência. O título também combina com os pré-requisitos materiais de um casamento: o conforto do lar - cama, mesa e banho -, que é substituído pela escada industrial. A escada é um elemento de ascensão, mas onde também podemos descer.

A mostra que será inaugurada agora traz obras inéditas e outras já exibidas... E são vários, os suportes... O que te norteou na seleção?

O curador Eduardo de Jesus me ajudou a clarear, a dar foco. Juntos, buscamos essa relação do homem com os objetos. São 27 obras nas galerias, três instalações para o local e uma mostra de vídeo contendo vídeo arte, documentações de performance e vídeo performances, formando um programa muito extenso e completo de minha obra em performance e vídeo.

Aliás, pode falar das performances previstas?

São três, as performances previstas. "Uma Canção na Vitrola" é a performance em que o homem burocrático/capital vai experimentar sua verdade emocional distorcida na personificação do momento e do tempo expandido. Ela trabalha a sonoridade e a presença nostálgica deste objeto como sensibilidades que ativam o corpo do homem e dos presentes, emocionalmente, no sentir além da musculatura. A performance é parte da série "Homens de Preto". Já em "Preenchendo o Espaço", convido o público para a experimentação do som - improvisado, caótico e musical - e do silêncio. Com um acordeom, mesclo momentos imóveis com momentos em que se sugere uma dança. Já em "Volumetrias", corpos constróem uma relação com o espaço entre eles, com a arquitetura, e redimensionam o entorno.

Pode falar um pouco também de "Perplexa"?

A Perplexa é a mostra de experimentos performáticos de meus alunos da escola Guignard/ UEMG. Ela tem duas edições a cada semestre e resolvi misturar com o período da exposição. Considero a docência como continuidade da obra, estou transmitindo o que adquiri de conhecimento e percepção de mundo, estou deixando tudo seguir em outros corpos e mentes...isso é muito importante para nos manter com qualidade humana.

Por último, mas não menos importante... Poderia rememorar, para a gente, seu encontro recente com Marina Abramovic? Qual o saldo de mais esta experiência em sua vida?

Foi maravilhoso, pois, além de me colocar ao lado de uma artista que admiro muito, me deixou confirmar as ideias que tinha sobre sua ética artística e pessoal, além de receber muitos ensinamentos dela. O saldo é uma experiência unica de vida, que nunca imaginei que aconteceria, o que nos mostra que a vida realmente dá muitas voltas e é surpreendente, mas depende de você acreditar e não desistir no meio da jornada. Entender que as coisas se movem, mas você tem que ajudar! Acho que o que tenho recebido este ano de reconhecimento vem de meus quase 30 anos de trabalho nas artes, com sinceridade, verdade e muita paixão, e com o querer estar neste mundo presente de verdade!