A artista plástica e escritora Mariana de Matos junta suas duas habilidades no que chama de “poesia com paisagem”, seja no azulejo, no asfalto, em pedras, em folhas vegetais e, agora, mais tradicionalmente, mas sem perder “la ternura”, no livro: “Meu Corpo é Um Esconderijo” (editora Penalux, R$ 32). O lançamento acontece nesta sexta-feira (9) às 19h, no Centro Cultural UFMG (avenida Santos Dumont, 174, Centro).

No livro desta jovem escritora de 26 anos, nascida em Governador Valadares, ela mostra como os versos chegam para ela – quase sempre com a imagem associada, porém, sem as paisagens às quais vem se dedicando.

Nele, os cem poemas chegam em dois capítulos. “Maré”, como também assina, cita que no primeiro, chamado “Cabeça”, tem a razão, a política. O outro, chamado “Cabaça”, mostra sensibilidade.

Pintar poesias?

Mas apenas escrever não basta? “É isso mesmo!”, confirma Maré. “Escrevo no chão, nas páginas, no azulejo, onde for...” Ela lembra que seu trabalho não é grafite. É “poesia pintada na paisagem”.

As intervenções que faz parecem que deixam de lado o ar de agressividade e de rebeldia excessiva que, às vezes, a street art mostra.

Nos trabalhos, Mariana de Matos usa tintas a base de água. Assim, os registros permanecem nos lugares, no máximo, por seis meses. “São tintas pouco nocivas. E sempre que alguém os vê (os versos), vai até meu perfil no Facebook e conta”. Um dos recentes trabalhos foi feito na rua da Aurora, em Recife (PE). “Pela manhã, da janela leram: ‘Toda poesia do mundo está escondida na Aurora’”.

Além de Recife, paisagens em São Paulo, Trancoso e Caraíva (ambas na Bahia), também possuem versos de Maré. Mas nesta altura do campeonato, a “maré” das intempéries já levou tudo.