“Meu amor gastei em sonhos sem futuro/ esperanças vãs reduzidas a pó/ minha luz desperdicei e agora escuro/solidão é o que resta a um homem só”. Os primeiros versos de “Homem Só” são bastante representativos do tom melancólico de “Era Domingo” (Som Livre), o novo disco de Zeca Baleiro.

Esse tom pode ser visto até mesmo no nome das canções: “O Amor É uma Invenção”, “Desejo de Matar”, “Desesperança”... um repertório que dialoga com a contemporaneidade. “O mundo que vemos hoje não me entusiasma muito. Vivemos tempos obscuros. Acho natural que a arte reflita isso”, explica Zeca Baleiro.

“Acho que as letras são bem reflexivas e revelam um pouco do processo de mergulho interior que os 50 anos trazem consigo. Musicalmente, traz a diversidade rítmica, que é um traço do meu trabalho”, completa.

Vários amigos

Neste décimo álbum de inéditas, o músico maranhense decidiu, pela segunda vez, trabalhar com vários produtores. Treze pessoas colocaram as mãos nas 11 faixas, inclusive mineiros, como Rogério Delayon, Haroldo Ferretti e Henrique Portugal (estes dois últimos do Skank).

Nas escolhas, não houve um padrão. Zeca aproveitou para chamar amigos de diferentes lugares. “São músicos que me acompanham, produtores com os quais já trabalhei, outros amigos próximos, mas com os quais nunca tinha trabalhado”, diz Baleiro. “(É uma opção que) traz cor, nuances, variedade. E traz dor de cabeça também, porque tenho que administrar 13 cabeças”.

Como sempre, o incansável Baleiro está envolvido em outros projetos. Em agosto, deve estrear um programa no Canal Brasil chamado “Baile do Baleiro” – que depois será transformado em DVD.

O disco “Zoró” vai ganhar uma versão audiovisual, com 11 animações para as músicas infantis feitas pelo animador Cata Preta. Lança ainda, pelo selo Saravá, uma coletânea de Décio Rocha, baixista e inventor de instrumentos pernambucano.