A cerveja pilsen continua sendo a favorita dos brasileiros, representando 98% do mercado cervejeiro do país. Mas esse número deve mudar bastante nos próximos anos. Quem gosta de cerveja mas ainda não experimentou um produto diferenciado é um cliente em potencial. 
 
O boom de cervejarias artesanais na Região Metropolitana de Belo Horizonte (especialmente Nova Lima) é a prova de que há muita gente disposta a conhecer outros sabores e se aventurar no universo dos rótulos diferenciados. 
 
Uma mostra disso é a Villa Adriana, casa inaugurada semana passada no Sion. O empreendimento é dos mesmos donos do Adriano Imperador da Cerveja, um bem-sucedido bar especializado em cervejas mineiras aberto há dois anos.
 
“Quisemos expandir o negócio, mas a nova casa não poderia ser igual à outra. Então, subimos um degrau. Na Villa Adriana, vamos oferecer chopes e cervejas de outros Estados e países”, afirma Luis Otávio Guimarães Vieira, mestre cervejeiro e sócio-proprietário do Villa Adriana. 
 
No novo bar, serão oferecidos 21 chopes – sendo 14 importados, especialmente da Alemanha, Bélgica e Inglaterra. Haverá ainda uma microcervejaria e o público poderá degustar em primeira mão as receitas locais. 
 
Quem também aposta em um público amante da boa cerveja é o CCCP, casa noturna da Savassi que concilia música ao vivo (normalmente, de rock, jazz e blues) com um bom cardápio de bebidas. Ali estão opções nacionais e internacionais – por sinal, de amanhã a sábado, a casa realiza um festival com cinco rótulos da americana Brooklyn Brewery. 
 
“Tem gente que acha que essa cerveja é cara, mas não é verdade. É um produto de alta qualidade. É a mesma coisa que dizer que um determinado carro é caro e querer compará-lo ao Fusca. Para quem quiser tomar Skol, a cerveja diferenciada vai parecer cara mesmo”, afirma o sócio-proprietário do CCCP, Fred Garzon.
 
Justamente por causa do preço de mercado das cervejas importadas, a oferta de chopes da casa é alterada de tempos em tempos. “Algumas marcas vão ficando inviáveis para a importação em determinada época. Mas logo já negociamos outras”, diz o empresário, que aposta nas pratas da casa. “A cerveja que venceu o campeonato mundial este ano, a Wäls Dubbel, só pode ser encontrada na fábrica da Wäls (no bairro São Francisco) e aqui no CCCP”.
 
Uma aventura gastronômica pelos diferentes sabores
 
Outra novidade na cidade é o Uaimií Brew Pub, inaugurado este mês no Sion, aos moldes dos pubs europeus. No lugar, são servidos os cinco tipos de cerveja fabricados na Cervejaria Uaimií, localizada no Córrego do Lobo, em Itabirito. 
 
“Vimos que o consumidor de cerveja especial gosta de saber das histórias das bebidas. Por isso, decidimos misturar um pouco a criação da cerveja com história, especialmente porque nossa fábrica fica na Estrada Real. Assim, cada cerveja ganhou um nome de personagem histórico”, conta Normando Siqueira, sócio-proprietário do empreendimento. 
 
O pub vende chopes intitulados de Barão de Eschewege, Captain Burton, Chico Rei e Ana de Sá. Esta semana chega o Saint Hilaire, que é uma cerveja de guarda que estava reservada há dois meses. 
 
Aos mais curiosos sobre a confecção das cervejas, há a opções de fazer passeios em cervejarias. Várias delas abrem suas portas aos sábados – como a Cervejaria Küd (rua Kenton, 36, Jardim Canadá, Nova Lima). Grupos de até 20 pessoas podem agendar visita a partir das 11h.á, as pessoas conhecem os tanques – todos com nomes de bandas de rock – e se informam sobre as cervejas – todas batizadas com músicas clássicas. “Mas os nomes têm a ver com as características das cervejas. Kashmir é o nome de uma canção do Led Zeppelin, mas também é uma região da Índia, que está relacionada ao sabor da bebida”, diz Diogo Kfoury, sócio-proprietário do Brew Pub Küd. Quem se interessar pelo passeio, pode procurar por cervejariakud.com.br.
 
Viena
 
Belo Horizonte possui muitas casas perfeitas para quem gosta de experimentar novidades, mas talvez nenhuma seja tão completa quanto o Café Viena, no Funcionários. O espaço nasceu em 1999, com a intenção de ser um café, mas aos poucos a cerveja se tornou a especialidade da casa – hoje são mais de mil rótulos. 
 
“Recebemos muitos turistas. Às vezes, acho que o Café Viena é mais conhecido fora do que em Belo Horizonte”, diz a proprietária Ingrid Chlad, que batizou o bar em homenagem ao pai, Wilhelm Chlad, que há algumas décadas foi dono da Mercearia Viena, em Montes Claros. 
 
O bar e restaurante (que já venceu vários prêmios, inclusive um Comida di Buteco) é administrado por toda a família, sendo que a tarefa de escolher os rótulos fica nas mãos do filho de Ingrid, Guilherme Chlad, de 26 anos. 
 
No cardápio, há algumas cervejas bem caras, como a famosa belga Deus (por R$ 180) e a americana Samuel Adams Boston Lager (de R$ 900). Mas o carro-chefe é a prata da casa, a cerveja Viena, criada pelo marido de Ingrid, Wellerson Paulinelli, e Guilherme. “Ela é feita com dois maltes e um lúpulo e engarrafada no Jardim Canadá. As mulheres adoram, pois é uma cerveja mais suave”, garante Ingrid.