Após tanta cena de horror, o plano final de “Midsommar – O Mal Não Espera a Noite”, com um sorriso da protagonista, nos deixa intrigados. Ainda mais em se tratando de Ari Aster, o mesmo diretor de “Hereditário”, um dos filmes de terror mais incensados na atualidade, que mergulha em relações interpessoais após um acontecimento trágico.

Embora mude de ares – passando de cômodos escuros para uma ensolarada comunidade da Suécia – a nova produção, com estreia no dia 22, repete de certa maneira o mote: há um prólogo que evidencia um grave problema com a família de Dani. Para diminuir a sua dor, ela viaja com o namorado e seus amigos estudantes de antropologia.

O lugar parece ser aconchegante e feliz, mas logo (em se tratando de filme de terror, não se podia esperar outra coisa) se revela uma armadilha, com Aster flertando com clássicos do gênero, como “O Bebê de Rosemary” e “O Sacrifício” (“Hereditário” também traz esse elemento ao final). Mas “Midsommar” está longe de se ater a sustos previsíveis.

À medida que a história avança, mais enigmática ela se torna, com um desfecho tão inconcluso quanto a produção anterior de Aster. O cineasta, porém, deixa boas pistas que apontam para uma trama psicológica e até mesmo feminista, leitura que se torna possível quando lembramos da primeira parte, em que Dani sente o descaso do namorado.

O que acontece na segunda parte não deixa de ser um espelhamento da anterior, como consequência dos sentimentos pós-trauma da protagonista. O baseado que o quarteto de amigos consome, antes de partir, ganha um prolongamento nas estranhas beberagens que experimentam; a neutralidade científica se volta contra eles; e assim por diante.

Apesar do quê sobrenatural da metade final, basta lembrar de “Hereditário” para avivar o gosto do cineasta pela mistura de situações bizarras com algumas explicações de cunho psiquiátrico. Seria a viagem fruto de um surto? Pode ser, bem como outras várias interpretações que só tornam “Midsommar” um trabalho, no mínimo, intrigante.

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