O amoroso neurocientista Miguel Nicolelis vem a BH, nesta quinta (25), para lançar o livro “Made in Macaíba – A História da Criação de Uma Utopia Científico-Social no Ex-Império dos Tapuia” (Crítica/Editora Planeta). Na publicação, ele narra a história da criação do Instituto Internacional de Neurociências de Natal e os projetos sócio-educativos que lá desenvolve.

Paulista, dono de mais de 30 prêmios internacionais na área em que atua, Nicolelis mora nos Estados Unidos há 27 anos e há 13 vem constantemente ao Brasil, para temporadas onde trabalha nestes projetos de pesquisas. No mínimo, ele acredita muito no berço em que nasceu. E disso tem consciência plena e gosto em sentir.

E diante disso...

Fizemos três perguntas para saber o que o autor pensa desta missão/opção de vida. A primeira delas foi: O que é ser cientista?

“Na minha definição, ser cientista é ser criança para o resto da vida. É ser pago para continuar descobrindo e fazendo exercícios lúdicos para tentar entender o que a natureza é e quais são as leis que regem o funcionamento da natureza. No meu caso, saber como funciona o cérebro humano”. Boa!
E ser cientista no Brasil?

“É ser, acima de tudo, um bravo. É sobreviver à falta de constância e continuar trabalhando”. Restringindo ainda mais a questão, e o que é ser cientista no Nordeste brasileiro? “É ainda mais difícil, mas também muito gratificante”.

Gratificante. Curioso isso... “É que a gente vê o impacto do trabalho na comunidade do entorno, no caso, no Instituto. Lá aplicou-se a ciência como um agente de transformação social”, diz.

O título do livro remete um pouco a este poder transformador. Macaíba é o nome de uma palmeira cujos frutos podem ajudar a diminuir a carência alimentar. É também o nome da cidade, na região Metropolitana de Natal, onde está o “Campus do Cérebro” do Instituto.

O projeto começa com o pré-natal das mães dos futuros alunos. Depois, projeto educacional, no qual mais de 11 mil crianças já foram atendidas. “A nossa ciência no Nordeste tem o rosto do povo brasileiro”.

E ainda cabe amor

“Não há como ser cientista sem amor, sem paixão. E os grandes que conheci na minha vida tinham ambos. E para ser grande na ciência é preciso ambos”, ensina.

Nicolelis resume que seu livro é uma “mensagem de esperança”, apoio e confiança no talento do Povo Brasileiro. “É uma declaração de amor ao Brasil”.