Cerca de 40% dos ingressos foram vendidos em menos de 24h, e não demorou para que tudo se esgotasse. Não era para menos. Afastado dos palcos há um ano, Milton Nascimento estreia, neste sábado, no Grande Teatro do Palácio das Artes, o show “Semente da Terra”. 

Bituca não esconde a alegria. Diz que o show é “uma das coisas mais especiais” que já viveu na carreira. O projeto, feito entre amigos, mostra a renovação do artista, que apresenta repertório combativo: clássicos com conotações políticas e sociais, como “Milagres dos Peixes” e “Terceira Margem”. O set list traz também canções feitas com parceiros de longa data, como Fernando Brant, Ronaldo Bastos e Márcio Borges. Questões indígenas, racismo e mobilização social dão a tônica da apresentação. “Neste show as músicas são a mensagem”, avisa. 

A proposta de aglutinar várias lutas cantadas por ele ao longo da carreira em um único espetáculo fica clara logo no título do projeto. “Semente da Terra” é o mesmo nome que Milton recebeu de lideranças espirituais da tribo Guarani-Kaiowá após apresentação em Campo Grande (MT). A relação dele com os índios gerou um disco em 1990, “Txai”.

O trabalho atual reacendeu a relação dele com a música. “Foi uma experiência que achava que não poderia ter. Pois nunca tive um ensaio com clima tão legal como foi este de agora. Isso me deixou muito animado, como nunca estive”. 

Mulheres 
“Elis Regina foi o grande amor da minha vida”, afirma Milton, grande admirador de vozes femininas, e para esta nova turnê ele convidou a cantora mineira Bárbara Barcellos. 

Ela foi apresentada ao músico pelos irmãos Wilson Lopes, diretor musical desse show, e Beto Lopes, no antigo bar Godofredo – onde hoje funciona o Bar do Museu Clube da Esquina, no bairro Santa Tereza. “Eu a vi tocando e fiquei maluco por ela. Até que surgiu esse show e os meninos me deram essa ideia. E posso dizer que ela tá demais neste show”, afiança. 

Mudanças
Milton trocou o Rio de Janeiro por Juiz de Fora, onde leva uma vida mais sossegada. A motivação da mudança foi o filho Augusto Kesrouani, que estudava na cidade. “Decidi passar um tempo por lá. Conheci coisas novas, pessoas novas, revi velhos amigos. Está sendo muito bom”, assegura.

Em outubro, Milton completa 75 anos de vida. O mês também marca os 50 anos de lançamento de “Travessia”, no Festival Internacional da Canção. Mas se o clássico entrou para a história da MPB, para Milton ficou outra lembrança: “Os nomes desse festival para mim são dois: Augustinho dos Santos e Fernando Brant. É isso que 1967 representa pra mim”.