A voz é ainda de uma menina. As palavras que profere, contudo, apontam existir dentro dela tanta convicção quanto de qualquer adulto determinado: “Essa será sempre a minha profissão, não importa o que aconteça”, crava.

Mineirinha de BH, Ana Clara Pedroso Teófilo tem 11 anos de idade, dança desde que tinha 3 e é bailarina clássica. Tem mais. A garota é uma das 51 aprovadas na Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, entre mais de 1.500 candidatos.

Movida pela paixão pelo balé, a pequena, logo que soube da seleção, correu para participar e intensificou os treinos. O primeiro passo foi dado em Governador Valadares, onde ocorreu a pré-indicação. Etapa vencida, em seguida, partiu para Joinville, Santa Catarina –, onde funciona a única filial do Bolshoi fora da Rússia.

“Quase não acreditei quando fiquei sabendo do resultado porque é muito difícil passar. Estava confiante, mas tinha medo de não aceitar a ideia caso não passasse e, por isto, ficava pensando que não ia conseguir, sabe? Por isto, conferi a lista umas 20 vezes. Depois, fiquei muito feliz e comecei a gritar. Estava explodindo de tanta alegria”, diz Ana Clara.

Tanta felicidade assim, claro, contagiou a todos, especialmente a mãe coruja, que assistia a tudo de perto. “Fiquei muito feliz por ela”, diz Ana Carolina.

Tal novidade não só irá transformar a carreira da filha, como toda a rotina da família. Isto porque a garota irá se mudar no fim do mês, com a mãe, para Joinville, Santa Catarina – onde funciona a única filial do Bolshoi fora da Rússia. O pai continuará em Minas, pelo menos durante este ano. “Larguei o meu emprego e, agora, vamos começar do zero de novo. Mas, a partir do momento em que ela passou e por ter lutado tanto por isto, decidimos instantaneamente que não tiraríamos dela esta oportunidade de estudar lá”, conta a mãe, que é administradora.
 
Além do padrão
 
De acordo com Ana Carolina, a iniciativa de estudar balé partiu da própria Ana Clara, o que acabou sendo uma surpresa pela falta da tradição na família. “A gente nunca incentivou, mas, sim, apoiou. Apesar de que ela nem precisa de apoio; ela tem força de vontade (risos). A Ana gosta de balé bem mais do que a média das pessoas e foi com ela que aprendi a gostar também”, pontua.

E bastam dois dedos de prosa com a bailarina para comprovar esta percepção. “Na minha cabeça, penso que não é bom deixar tudo aqui (BH), porque vou sentir falta, mas vai valer a pena estes oito anos de curso. É um sonho para mim estudar lá (no Bolshoi). Simplesmente sou apaixonada pelo balé”, diz Ana Clara.

E quem pensa que o gosto pelo clássico fica apenas na dança, está enganado. “Gosto de música clássica, porque sinto uma coisa emocionante quando escuto. Não curto rock nem música brasileira”, entrega Ana, que diz gostar também de comida japonesa e palmito e nada de chocolate, sorvete e bolo. “Gosto mais de frutas como morango e banana ou quindim mais azedo. Também adoro viajar e ler livros de aventura, como ‘Harry Potter’”, finaliza a bailarina.