A ansiedade será dupla para Guilherme Fiúza em junho. Enquanto a bola rolar nos gramados brasileiros, com os jogos da Copa do Mundo, a sua torcida também estará voltada para a batalha que “O Menino no Espelho” travará nos cinemas.

Adaptação do livro homônimo infanto-juvenil do escritor mineiro Fernando Sabino (1923-2004), o filme deverá enfrentar concorrentes americanos de peso, que disputarão os raros minutos em que os espectadores se desligarão da palavra futebol.

“Pode parecer uma estratégia meio maluca, mas, além da Copa do Mundo, também será o período de férias escolares. As crianças certamente não ficarão o tempo todo vendo futebol. Os pais terão que levá-las para algum lugar”, observa Fiúza.

Pureza

Para não dividir atenções com o futebol, o diretor poderia aguardar até às férias de janeiro de 2015, mas resolveu topar o desafio, acreditando no potencial da história autobiográfica e lúdica de Sabino, um dos principais nomes da literatura do país.

Lançado em 1982, o livro registra as peripécias do garoto Fernando na Belo Horizonte da década de 30. Ele tenta, por exemplo, ensinar uma galinha a conversar, aprende a ficar invisível e, ao ficar diante do espelho, descobre a pureza que só uma criança de sua idade pode usufruir.

“Estamos trabalhando num target de oito a 13 anos, especialmente os de nove a 11, faixa que demonstrou maior identificação com a história”, adianta Fiúza, que realizou testes de audiência para ajudar a tirar algumas dúvidas sobre o corte final.

Incômodo

A resposta do público surpreendeu Fiúza, que “sentiu” ter deixado uma sequência em especial de fora, quando Fernando, sem querer, flagra a prima trocando de roupa. A cena foi realizada de forma singela, mas mães e filhas desaprovaram.

“As meninas se sentiram invadidas. Acredito que o incômodo foi gerado porque elas meio que passam por isso nessa idade, quando estão passando por várias modificações de corpo. Foi a única cena cortada, mas tinha um grande apreço por ela”, lamenta. 

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