A magia – abraçada à “irmã” aventura – do escritor não está só na necessidade de jogar os personagens no papel ou na tela do computador. Está, sim – e até mesmo para a sobrevivência literária – na reinvenção de sua escrita. E é nesta ação arriscada (porém calculada) que se lança o mineiro Luiz Ruffato em sua mais recente investida, o romance “Flores Artificiais” (Companhia das Letras). Os leitores belo-horizontinos poderão conferir essa epopeia nas palavras do próprio autor nesta terça-feira (2), a partir das 19h30, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes, dentro do projeto “Sempre um Papo”.

E Ruffato não esconde a felicidade por sair da chamada “zona de conforto”. Por isso, ousa. “Foi assim que criei esse diálogo com meu parente, esse engenheiro que viaja pelo mundo, e que escreveu as suas histórias. No fundo, no fundo, foi o Dorio Finetto que escreveu(o livro), eu apenas editei”, frisa.

Em “Flores Artificiais”, Ruffato recebe uma correspondência de um desconhecido: o engenheiro Dório Finetto, graduado funcionário do Banco Mundial, que, em seus manuscritos, trata de suas andanças pelo planeta.

Partindo de um esqueleto ficcional, Ruffato — o autor, e não o personagem do próprio livro — embaralha as fronteiras entre ficção e realidade, sem perder de vista a força literária que é a grande marca de sua obra.

De certa forma, Ruffato estabelece um paralelo entre essa nova história e o livro “Estive em Lisboa e lembrei de você”. E explica: “Em tudo o que tenho feito até agora há um desenvolvimento lógico. Não escrevo na medida em que as coisas vão acontecendo, há todo um planejamento. O livro ‘Eles Eram Muitos Cavalos’ (que recebeu o prêmio APCA e o Machado de Assis, da Biblioteca Nacional) foi uma espécie de exercício para escrever ‘Inferno Provisório’”.

BATE PAPO

Ruffato encara a participação em projetos similares ao que o traz nesta terça à capital mineira como uma porta para o escritor tentar ter uma visão mais apurada do outro lado – no caso, o lado do leitor. “Eu tenho claro, para mim: escrever é um trabalho solitário, o escritor não dialoga com ninguém. Eventos como esse são uma oportunidade de conversar com o leitor, de sentir como os livros são recebidos. Nestes momentos, deixo de ser um solitário para tentar compreender – e aprender – com o público”, enfatiza.

O escritor mineiro não para. Na semana passada, lançou, na Bienal do Livro de São Paulo, seu primeiro livro infantil (“A História Verdadeira do Sapo Luiz”), que leva a chancela da Editora Dsop).

O texto mistura ideias antigas com conceitos da sociedade atual. São diversos elementos característicos de contos de fadas, como um rei justo, sábio e generoso; irmãs invejosas e uma maldição que se contrapõe à bondade e à beleza da donzela.

Contudo, na versão de Ruffato, a protagonista, princesa Juliana, é inteligente, sabe o que quer e não aceita nenhum dos pretendentes cheios de títulos e qualidades que seu pai lhe apresenta. Ela espera pelo amor, que acaba encontrando no sapo Luiz. Até o final do ano, o irrequieto escritor promete um livro de crônicas, “Minha Primeira Vez” (Editora Arquipélago). “Também sigo escrevendo semanalmente para a edição Brasil do “El Pais”. Para mim, claro, é ótimo... mas dá uma trabalheira”, diverte-se.

SERVIÇO

Luiz Ruffato na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro), nesta terça, às 19h30. Entrada franca