Em um curto espaço de tempo, Miro Damata assistiu ao filme ‘O Escafandro e a Borboleta’ (2007), avistou um grafite com a imagem de um escafandro, ouviu Chico Buarque entoar ‘os escafandristas virão’ em ‘Futuros Amantes’ e se deparou com o desenho de um escafandro feito por um amigo tatuador a um cliente. Uma série de fatos que influenciou o batismo de seu quarto álbum.

Só que o motivo principal de nomear o trabalho como “Escafandro” ia além. “Escafandro é aquela vestimenta usada por mergulhadores para superar a pressão em profundidades. Entendi que as canções expressam ali uma tentativa de ser um suporte, uma resistência às pressões do dia a dia. E consegui simbolizar essa situação”, diz.

O conceito se manifesta por meio da capa (com o desenho da tatuagem) e das seis faixas que dialogam entre elas e exprimem realmente essa ideia de pressão no cotidiano vivido pelo brasileiro, algo reforçado nesta pandemia. 

"O processo de composição é todo feito por mim. Geralmente, e sobretudo no ‘Escafandro’, as músicas saíram junto com as letras. Nasceram de forma muito orgânica. Muito vai de encontro à proposta do disco, uma espécie de alarido, da manifestação do que precisava ser dito no disco. Com exceção de 'Pode Até Demorar', que é uma parceria com Luiza Provedel, poetisa do Rio de Janeiro. Ela fez a letra, vinda de um poema dela e que eu musiquei”, ressalta.

O instrumental também é todo assinado por Miro Damata. Só que, no momento da gravação, o músico recebeu a colaboração de outros artistas, originando novas camadas sonoras.

Miro Damata

"Gravei baixo, guitarra, violão e vozes. A coluna cervical do disco fui eu quem elaborou. Os complementos foram feitos por amigos. A Adryane Lins, no violino, participou de duas faixas; o Júlio Campos esteve presente com arranjo de bandolim e solos complementares de guitarras; e o Bruno Tonelli, produtor do disco, cantou uma faixa e tocou piano em outras duas. Quando as músicas vão para o forno, durante a produção mesmo, seleciono os colegas, e eles participam da gravação", conta.

Com este trabalho, guiado por rock e MPB, ele espera ‘tocar o íntimo das pessoas’. “A música e a arte em geral têm uma importância muito particular na minha vida. É a forma que encontrei de me expressar, de mostrar meus pensamentos. No dia a dia, as pessoas não sabem das posições que tomamos ou do que pensamos no nosso íntimo. E a música tem essa capacidade, de expressar o íntimo das pessoas. Ajudou muito nessa minha expressão reflexiva, essa coisa do pensar em temas, criar redes de comunicação de pessoas que pensam a mesma coisa. É mecanismo de encontro; isso é muito fantástico na música", destaca.