Clausy Soares, Dulce Beltrão, Dulce Maria, Lenice Almeida e Nilda Almeida. Elas e tantas outras foram as pioneiras da televisão em Minas Gerais, participando da história da TV Itacolomi –primeira emissora do Estado, fundada em 8 de novembro de 1955 e que, em junho de 1980, teve a concessão cassada, dando lugar a TV Manchete.
 
A trajetória delas como atrizes, apresentadoras, coreógrafas e garotas-propaganda não foi diferente da de outras mulheres nas décadas de 1950 e 1960, trabalhando num ambiente muito “conservador e machista”, como destaca Siomara Faria, coordenadora do MIS BH, que realizará, na terça, uma roda de conversa sobre o papel das mulheres na Itacolomi.
 
“A ideia é mostrar o lugar que elas ocupavam e que hoje ocupam, a partir da experiência destas pioneiras”, registra Siomara, lembrando que certas funções eram desempenhadas apenas por homens naquela época. “Você não tinha, por exemplo, uma apresentadora de telejornal. Elas sofriam muito preconceito, até pela atividade que exerciam”, assinala.
 
Tia Dulce
Dulce Maria foi uma exceção. Mais lembrada como Tia Dulce, apresentadora de programas infantis, ela salienta que nunca sofreu qualquer espécie de preconceito. Nem mesmo em relação aos salários. “Sempre ganhei bem, até mais do que os homens, logo comprando meu Fusquinha 1962”, conta a garota-propaganda do “Sessão Feminina”, lançado pouco depois da inauguração da TV.
 
“Era uma atuação inteiramente autodidata. Entramos com a cara e com a coragem. Para você ter ideia, eu não conhecia um aparelho de TV quando entrei”, recorda Dulce, que hoje aos 83 anos vê na roda de conversa a oportunidade de lembrar muita história. Além do bate-papo, a atividade terá a exibição de um curta-metragem com exibição da Itacolomi e realizado pela equipe de MIS.
 
Serviço:
“A Mulher na TV Itacolomi” – Terça, às 19h30, no MIS BH (Avenida Álvares Cabral, 560). Entrada franca.