Quando Rob Halford sobe ao palco montado em sua Harley Davidson, começa um ritual sagrado do heavy metal. Uma das vozes mais potentes do gênero, o emblemático vocalista britânico conduz a missa do Judas Priest com maestria, do alto de seus 67 anos. Responsável por formatar a estética e a sonoridade do metal clássico, o grupo se apresenta nesta quarta-feira (14), no KMV Hall, pela segunda vez em Belo Horizonte. O evento “Solid Rock” ainda conta com o Black Star Riders, banda norte-americana de hard rock formada por Scott Gorham, guitarrista da icônica Thin Lizzy.

Fã de Judas Priest desde 1996, o promotor de eventos Leonardo Bridges, 37, ressalta o pioneirismo da banda. “O Black Sabbath inventou o som do heavy metal, mas a identidade estética foi o Judas quem criou. Foi Halford quem apareceu primeiro com as roupas de couro, as correntes. Sem contar que ele, como vocalista, é incontestável”, afirma. 

O músico profissional Filipe Duarte, 40, faz coro. “O Judas é uma banda que personifica o heavy metal e que entrega não apenas um espetáculo grandioso, mas músicas de extrema qualidade. Poderosas, cheias de peso e timbre”, defende, citando a clássica “Painkiller”, do disco homônimo de 1990.

O assistente de logística Felippe Catão, 31, lembra a importância de Halford para a quebra de preconceitos dentro do metal, visto que o vocalista foi o primeiro ícone do gênero a assumir sua homossexualidade. “Ele quebrou a barreira do preconceito e acendeu uma luz para os ignorantes. Há de se valorizar Halford e outros pela suas qualidades artísticas. Essa, para mim, foi sua maior mensagem”, defende.

Sobre o show em BH, Bridges – que já assistiu a cinco apresentações da banda – lamenta a falta dos guitarristas e fundadores Glen Tipton e K.K. Downing. “Para mim, o Judas é esse trio de frente. Já tinha desanimado quando Downing saiu da banda e, agora, Tipton também parou de fazer shows por motivos de saúde”, afirma. “Confesso que estou até mais entusiasmado com o Black Star Riders. A banda é muito boa e sou alucinado com o Thin Lizzy”, pontua.

Apesar das baixas, Filipe Duarte lembra que ver o Priest em ação é um privilégio. “Temos que agradecer por esses caras ainda estarem na ativa. Talvez seja nossa última chance de vê-los no palco”, sublinha. Para Felippe Catão, que perdeu a passagem da banda por BH em 2011, essa é uma realidade. “Espero por este momento há alguns anos e estou ansioso desde o anúncio do show”, diz. 

Serviço: "Solid Rock": Judas Priest e Black Star Riders. Quarta-feira (14), às 20h, no KM Hall (av. Nossa Senhora do Carmo, 230 – Funcionários). Ingressos a partir de R$ 100.