Morto precocemente, Kurt Cobain completaria 50 anos hoje

Paulo Henrique Silva
phenrique@hojeemdia.com.br
17/02/2017 às 18:46.
Atualizado em 16/11/2021 às 00:35

LUCAS PRATES / N/A

“Somente o Kurt poderia cantar tão bem as suas músicas, porque são a verdade do cara”, diz o guitarrista da Nazar

Kurt Cobain não tinha nenhum monstro. Pelo menos não no palco, quando era comum, antes de ele formar a banda Nirvana em 1987, a realização de shows grandiosos, com mascotes em tamanho gigante, cenários incrementados e muita luz. O “monstro” era interior, como revelam muitas de suas músicas, cheias de angústia, raiva e ressentimento, algumas das razões para provocarem tanta identificação com as novas gerações.

Hoje, quando são lembrados os 50 anos do cantor e compositor, um dos expoentes do movimento grunge na década de 90, muitos dos fãs só foram devidamente apresentados a hits como “Smells Like Teen Spirit” e “Come as You Are” após a morte prematura de Cobain, em 1994, aos 27 anos.

É o caso de Luiz Guilherme Marques da Silva, guitarrista do grupo Nazar, cover do Nirvana, formado há três anos em Betim.

“A galera costuma falar do grunge com preconceito, que é uma coisa simples, bastando sair gritando e tocar três acordes. Mas se você pegar para escutar de verdade, vai entender que é mais do que isso. Grunge é atitude. É raiva, sentimento. Somente o Kurt poderia cantar tão bem as suas músicas, porque são a verdade do cara”, observa Luiz Guilherme, que também já fez cover de Alice in Chains, do mesmo estilo do Nirvana.

Como gosta de dizer, Marco Diniz, líder da banda Nevermind, é do “antes, durante e depois do suicídio” de Cobain. Aos 39 anos, oito deles dedicados a cantar as músicas do Nirvana em shows, Marco compartilha das ideias do guitarrista. “O Nirvana mostrou para o mercado, numa época em que toda apresentação tinha que ter muita luz e cenário, como um tanque de guerra, que música e atitude eram suficientes”, assinala.

Mesclando cenas inéditas de Kurt Cobain e entrevistas reveladoras da família e de amigos do músico, o documentário “Montage of Heck” (2015), de Brett Morgen, estreou este mês na Netflix

Para o vocalista da Nevermind, eles deixaram como principal legado a ideia que uma música tocada com sinceridade poderia ser mais contagiante que qualquer outra coisa. É a essa ideia que Marco se apega ao refutar a ideia de ser um cover do Nirvana. “Não vestimos as mesmas roupas e cortamos o cabelo da mesma maneira. Somos fiéis à sonoridade e a energia. Se você fechar os olhos durante nossos shows, verá que o áudio é muito próximo ao deles”.

Muitas das questões emocionais que Cobain levou para as suas letras são compartilhadas por Marco. “Várias das situações que ele descreveu eu passei também. Talvez consiga levar um pouco disso para o palco”, salienta ele, que também divide com o vocalista do Nirvana o gosto por gatos. O astro declarou certa vez que gostava dos bichanos porque muitas pessoas tinham uma falsa concepção deles.

 CACÁ LANARI/LORD PUB/DIVULGAÇÃO / N/A

A nova geração tem muito interesse no Nirvana”, observa Marco Diniz, vocalista da banda Nevermind

 Os 20 anos da morte foram lembrados no cinema e nos palcos

Entre a vida e a morte, os fãs parecem se importar mais com o segundo. Em 2014, quando foram lembradas as duas décadas sem Kurt Cobain, nos Estados Unidos e no resto do mundo ocorreram várias atividades, do lançamento de documentários e filmes a shows. No Brasil, não foi diferente.

“Há três anos, a Nervermind fez vários shows especiais e as pessoas me procuraram para entrevistas. Agora, só você me procurou”, registra Marco Diniz.

A Nevermind só retornará aos palcos no mês que vem, provavelmente quando a Nazar também voltará a fazer shows. “No nosso caso, estamos meio afastados porque o meu filho está para nascer. Mas já combinamos que, uma semana após o Heitor nascer, voltaremos”, conta o futuro papai Luiz Marques da Silva, guitarrista da banda. A última apresentação aconteceu no dia 4, no Underground Black Pub.

Apesar de não estar programado nada especial para os 50 anos de Cobain, Luiz Marques registra que o momento é bom para quem toca Nirvana. “A gente percebe um interesse voltando, até mesmo pelos shows. Para quem curte rock das antigas, o Nirvana e o Guns’n’Roses são sempre um começo. Se formos no YouTube, o Nirvana é a banda com maior número de acessos”, analisa o guitarrista, que foi mais fã da banda quando era adolescente do que é hoje.

Marco
Tanto Luiz quanto Diniz põe o Nirvana como um marco na história do rock, como um dos últimos grandes ícones do estilo. “Os tempos mudaram”, lamento o vocalista do Nervermind. Nos shows da banda, Marco percebe uma gradual renovação do público. “A nova geração tem muito interesse no Nirvana. Embora não tenha muito conhecimento e não consiga ver o tamanho do impacto que foi feito, ela respeita muito”, sublinha.

 DIVULGAÇÃO / N/A

Artista levou suas angústias para as letras de músicas que compôs

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