O boteco não é só lugar de descontração. Pode também ser palco para debates importantes sobre a realidade sociopolítica do país. Foi com esse pensamento que as produtoras culturais Beth Freitas e Tamira Abreu criaram a Mostra Cinebitaca em 2019. Dois anos depois, devido à pandemia, esse universo da mesa de bar foi transferido para o formato digital.

A relação com os botecos ganhou a forma de homenagem, com a programação iniciada ontem ganhando nomes de saudosos espaços em que cultura e gastronomia se entrelaçavam, como Bar do Lulu, Pastel de Angu, Social Bar e Aqui ó. “São lugares que marcaram a história de BH, inclusive nessas questões sociais e culturais”, salienta Beth.

Se na primeira edição o olhar se voltou para a tragédia de Brumadinho, agora é a pandemia que ganha vez, com uma seleção de 26 curtas que abordam o tema. “A gente percebeu que está tendo uma movimentação do setor, com muita gente produzindo, mesmo que de forma independente, para mostrar o que estão enfrentando”.

De acordo com a organizadora, o viés das produções é mais realista do que positivista. “Para algumas pessoas, tem sido bom, ao se descobrir outros caminhos. Mas, para a maioria, tem sido bem ruim. A curadoria montou uma programação bem diversificada, incluindo filmes mais alternativos, feitos por quem não está inserido no meio, e outros mais elaborados”, registra.