O arquivo pessoal de Antonio Poteiro é um dos chamarizes da exposição “Poteiro, o Popular e o Público”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Pela primeira vez o público terá acesso a fotografias do artista português que residiu grande parte da vida em Goiânia, sendo considerado um dos mestres da pintura primitiva brasileira.

“Poteiro era um agente cultural importante”, analisa o curador Leno Veras, que destaca imagens do artista com o escritor baiano Jorge Amado, com o ator Raul Cortez e o paisagista Burle Max. A outra parte da exposição apresenta o lado pintor, a partir da série “Brasilianas”, realizada para a comemoração dos 500 anos do Descobrimento do Brasil.

Veras também assinala a importância de se desmistificar alguns conceitos sobre Poteiro, apontado como naïf, como são designados os artistas autodidatas que desenvolvem uma arte original. “Na série ‘Brasilianas’ ele traz uma visão muito atípica, mostrando o tráfico negreiro e a escravidão e se posicionando em relação às questões étnicas e raciais”, registra o curador.

Poteiro ganhou este apelido porque, como ceramista, fazia potes para flores, incentivado por nomes como Siron Franco e Cléber Gouveia a assinar cada trabalho. O início da carreira se deu em Minas Gerais, no Triângulo Mineiro, mais tarde migrando para Goiânia, onde sua obra ganhou o mundo.

Veras critica o fato de relacionarem o trabalho de um artista primitivista a uma certa visão ingênua de mundo. “A exposição serve para nos fazer pensar se este tipo de pensamento ainda é factível no século 21, ao mostrar um artista que criou obras questionadoras, revisitando a colonização brasileira”, pondera.

 

SERVIÇO:

Exposição "Poteiro, o Popular e o Público" - De quarta a segunda, de 10h às 22h, no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450). Até 30 de março. Entrada franca.