A mostra "CUIR - Filme Experimento - América Latina" começará nesta segunda (7) com uma seleção de visões artísticas da dissidência sexual e de gênero, expressas em criações audiovisuais assinadas por artistas nascidos no Brasil e em outros seis países da América Latina: Chile, México, Colômbia, Argentina, Cuba e Uruguai.

A programação é gratuita e exibirá 42 produções organizadas em dez programas, além de uma série de debates, formada por oito encontros entre artistas participantes e o público. 

Serão exibidas produções artísticas em formatos diversos, entre a ficção, o ensaio, a performance, a videoarte e o videoclipe, em sua maioria de curta duração. Todas as obras convidadas para a CUIR poderão ser vistas durante os 14 dias de programação diretamente na plataforma própria (cuirfil.me), nas versões português e espanhol.

Os debates serão transmitidos ao vivo pelo canal da mostra no YouTube e não são necessários cadastro ou inscrição prévios para acompanhar as atividades programadas. 

A mostra visita distintas regiões do Brasil com produções do Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Entre os representantes da cena mineira estão o coletivo As Talavistas (Marli Ferreira, Pink Molotov, Cafézin e Darlene Valentim) e a realizadora, montadora e atriz Gabriela Luíza. Material gravado por essas artistas em encontros audiovisuais na residência coletiva em uma casa gerou o curta “Pietá” (direção de Pink Molotov, 2020) e, agora, origina o média-metragem “Sessão bruta”. Com direção de As Talavistas e Gabriela Luíza, o filme estreia na CUIR.

Entre os destaques, estão títulos do pernambucano Surto & Deslumbramento (André Antônio, Chico Lacerda, Fábio Ramalho e Rodrigo Almeida), coletivo convidado que terá um programa composto com filmes antigos e recentes, incluindo a estreia do curta “O nascimento de Helena”, coprodução PE/RN dirigida por Rodrigo Almeida. Desde que foi criado, em 2012, o coletivo Surto & Deslumbramento tem na prática de cinefilia sua matéria-prima para tecer trabalhos cujas temáticas se relacionam com as vidas LGBTQI+.

Os integrantes do Surto & Deslumbramento indicaram para compor o programa a Anarca Filmes, produtora carioca de cinema e arte contemporânea com uma proposta de realização audiovisual de caráter experimental. Nesse programa foi incluído o “Usina-Desejo contra a Indústria do Medo”, da Anarca Filmes, peça interativa realizada para explorar as possibilidades do ambiente web em 2021. Ambos os coletivos são importantes a uma história desviante do cinema brasileiro contemporâneo, na qual a proposição mesma de filme, ou cinema, está na fronteira de uma expansão, tanto ética quanto artística.

Entre os destaques internacionais, a programação traz produções do México, da Argentina, da Colômbia e de Cuba. Entre convidados e indicados, a curadoria da CUIR recebe artistas representativos da produção contemporânea chilena, como MariaBasura, Felipe Rivas San Martín, Hija de Perra e Katia Sepúlveda. O público também pode assistir a uma seleção de oito filmes de uma das mais notadas artistas na videoarte mexicana, Ximena Cuevas.

A reapresentação da seleção “Ximena Cuevas: Identidade, Sexualidade e Política”, exibida no festival Videobrasil, em 2001, traz às telas a potência do trabalho da videoartista que mescla identidade, sexualidade e política. Além dessa seleção retrospectiva, a CUIR apresenta filmes premiados em festivais internacionais de relevância. Um exemplo disso é o longa “La noche”, vencedor do prêmio do júri na competição argentina do BAFICI, em 2016. Há também estreias como o trabalho “The Pandemia CUIR Chronicles 2021”, uma compilação de filmes montada especialmente para a mostra pelo artista mexicano Gómez Peña e o coletivo La Pocha Nostra.