São cinco algarismos: 13006. É por esse número que é conhecida a lei, sancionada no ano passado, que obriga a exibição de filmes brasileiros nas escolas de educação básica. Apesar de comemorada por setores ligados ao cinema e à educação, ainda existem muitos pontos de interrogação sobre essa legislação, um dos temas que marcarão a programação da 10ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), iniciada ontem na cidade histórica mineira.


Muitas das perguntas e sugestões estão contidas no livro “Cinema e Educação: Lei 13.006 – Reflexões, Perspectivas e Propostas”, editado pela mesma produtora que realiza a mostra dedicada à preservação e à história do cinema nacional. “Foi um pedidos que esses agentes fizeram e não tive como negar, porque é uma ação muito ousada e propositiva, impossível de se ignorar”, afirma Raquel Hallak, coordenador-geral da CineOP.


São cerca de 20 artigos, envolvendo mais de 40 profissionais, que revelam preocupação sobre como essa lei deve ser regulamentada. “A escola é a porta de entrada para as famílias e, se (a questão) não for bem cuidada, poderá ser uma faca de dois gumes. É preciso ter critérios em relação aos filme que serão exibidos. O livro é um documento, que será entregue a representantes do governo federal durante a Mostra”.


Raquel comemora o alinhamento das três mostras temáticas – história, conservação e educação -que formam o eixo da CineOP, todos focados na acessibilidade. A escolha do ator Milton Gonçalves como homenageado é uma forma de chamar a atenção para a representação do negro no cinema, num momento em que, como frisa a coordenadora, a sociedade discute as vagas dos negros na universidade e a problemática da migração”.


Na parte de educação, serão exibidos vários curtas-metragens dirigidos por cegos, surdos e mudos, feitos no contexto escolar. Outro destaque é um filme (“De: Belo Horizonte Para: Belém”) produzido por alunos da escola Jovem Protagonista, de Belo Horizonte, voltada para a sociabilização de jovens infratores. A sessão acontecerá amanhã, às 19h, na Praça Tiradentes, com audiodescriação.


A programação, que prosseguirá até segunda-feira, terá hoje, pela primeira vez, a cópia restaurada de “Limite”, clássico de Mário Peixoto lançado em 1931, que está entre os maiores filmes nacionais de todos os tempos. “Esse é um case bonito, porque desde 1965 está se tentando recuperar o longa, mas agora ele ganhou uma versão da Cinemateca de Bologna, que tem hoje o melhor laboratório do mundo”, registra Raquel.


CineOP – Até segunda-feira, em três espaços (Cine Vila Rica, Centro de Artes e Convenções e Cine Praça). Programação completa pelo site cineop.com.br