Coordenadora-geral da Mostra de Cinema de Tiradentes, que dará início hoje a sua 24ª edição com a apresentação de 114 filmes nacionais, Raquel Hallak manteve, até o início do ano, a esperança de criar um espaço de Cine Drive-in na cidade histórica para não perder o vínculo com o público local.

O aumento nos casos de Covid-19 no Estado, após as festas de Natal e Réveillon, inviabilizou a iniciativa. A Mostra será realizada 100% em formato digital. “Queria fazer algo adaptado para a pandemia, seguindo com os protocolos de segurança. O Cine Drive-in seria uma atração. Mas tivemos que suspender tudo”, revela.

Raquel não esconde uma certa frustração. Porém, enxerga um lado positivo nesta situação: apesar dos contratempos gerados pela pandemia e do momento de falta de estímulo à cultura no país, o festival mineiro se mantém sólido. “Ele tem uma consistência e isso vai perdurar em qualquer formato”, observa.

A realização da Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) e da Mostra de Cinema de Belo Horizonte (CineBH), no ano passado, serviu para apontar que, com ou sem coronavírus, o digital seguirá presente nas próximas edições. “O mundo já estava caminhando para isso. Não foi uma novidade. Só houve uma aceleração”.

Ela compara o universo digital com o outdoor. Neste, é praticamente impossível saber quantas pessoas viram de fato o anúncio e qual era o perfil delas. “Já no digital você tem todos os dados, do número de acessos ao perfil. É muito enriquecedor, inclusive para os patrocinadores”, afirma Raquel.

O presencial não será abandonado, quando a pandemia permitir a realização de eventos em ambientes fechados. Para a coordenadora, o contato “ao vivo e a cores” não tem preço, especialmente quando se trata de uma cidade que tem no festival uma forma de atrair turistas e fomentar a economia.

“Ter os dois formatos”, segundo ela, “será a fórmula perfeita” no futuro. E encontrar o equilíbrio é fundamental. No caso da Mostra de Tiradentes, é entender que o presencial faz parte da natureza humana, como uma troca afetiva e de conhecimento. E também que a linha curatorial da Mostra nunca mudará, independentemente do formato.

“O fio condutor é o conceito e isso não pode ser alterado. Do contrário, será mais um evento de catálogo de filmes”, receita Raquel, que espera um outro tipo de inimigo para 2022: a falta de títulos para exibir. “Estamos vivendo uma lenta asfixia na produção. Isso ainda não se refletiu na Mostra, que teve mais de mil inscrições, mas pode acontecer no ano que vem”, lamenta.

Programação

Até o dia 30 de janeiro, a programação apresentará, gratuitamente, 31 longas, dois médias e 81 curtas-metragens) em pré-estreias e mostras temáticas, além de contar com seminário, debates, rodas de conversa, oficinas e atrações artísticas. Confira a grade completa no site da Mostra de Tiradentes.

Leia Mais:
Filme mineiro celebra amizade entre duas mulheres separadas pelo Atlântico
Curtas mineiros estão entre os melhores do formato nos últimos dez anos
Produtor mineiro André Carreira comemora sucesso de filme na Netflix