Conhecer e refletir sobre o trabalho de artistas contemporâneas e seu crescente interesse em assumir a narrativa do feminino, através da trajetória de mulheres reais. Este é um dos objetivos da Mostra Elas, uma série de conversas que reunirá, a partir desta terça-feira (15), 17 artistas mulheres que atuam em diversas linguagens, como literatura, cinema, teatro, artes visuais e documentário.

A idealização, curadoria e mediação é de Júlia Medeiros, escritora, atriz, dramaturga e gestora cultural, uma das vencedoras do Prêmio Jabuti. Até o dia 25 de junho, sempre de terça a sexta-feira, às 20h, Júlia conversará sobre as motivações e processos das obras e o universo de atuação de cada convidada, em mesas de debates que visam trazer ao público também a biografia dessas personagens e sua relevância histórica.

Participam do evento Anna Muylaert e Lô Politi, Ave Terrena, Branca Vianna, Daniela Arbex, Eliane Scardovelli, Gê Viana, Isabel Casimira, Karoline Maia, Marcela Cantuária, Noemi Jaffe, Raquel Barreto, Renata Carvalho, Renata Felinto, Suely Machado,Tatiana Salem Levy, Zula Cia. de Teatro. O evento vai acontecer de forma virtual, com acesso gratuito pelo canal da curadora no YouTube.

“A Mostra Elas surge do meu desejo de ouvir essas mulheres que narram outras, reais, a partir de seus trabalhos que tanto me tocaram, seja em livro, filme, espetáculo, pintura, podcast, artigo acadêmico, performance, não importa: quero mostrá-las. Queremos oferecer ao público um produto cultural democrático, inclusivo, diverso, inédito e provocador. Junto com “elas”, vamos ressaltar a importância da arte na reflexão e recomposição do imaginário social, político, econômico, cultural e identitário. A mostra busca também fortalecer as vozes femininas neste período pandêmico, em que registrou-se um aumento de 40% nos casos de violência contra a mulher”, destaca Júlia Medeiros. 

A conversa de hoje será com Renata Felinto e Renata Carvalho. A primeira é uma artista visual parte da biografia de três mulheres negras, que foram importantes líderes religiosas e comunitárias no Cariri - todas ligadas pelo esquecimento - para criar a videoperformance “Trindade”. Carvalho é dramaturga, diretora e atriz e investiga sua ancestralidade trans, ou “transcestralidade”, no monólogo “Manifesto Transpofágico”. Em cena, ela lança um manifesto sobre o nascimento desses corpos, mostrando a construção social e a criminalização que os permeiam, do imaginário à concretude.