Angelo Venosa reconhece: vem menos à capital mineira do que gostaria. “Mas, na verdade, também vou a São Paulo, minha terra natal, com bem menos frequência do que seria o ideal”, diz o artista, radicado no Rio d Janeiro há nada menos que 40 anos. A movimentação (geográfica) mais restrita pode ser creditada a uma boa causa: o trabalho. O que, para fortuna do público apreciador da boa arte, o traz de volta a Belo Horizonte. 
 
Nesta sexta-feira (11) à noite, o escultor inaugura exposição que vai ocupar (até o dia 24 de agosto) as galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa Lima, no Palácio das Artes.
 
Trata-se de uma retrospectiva que baliza os 30 anos de bons serviços prestados à arte e, dentro deste número emblemático, abarca 30 obras. Ou melhor, 31.
 
“Na verdade, acabo considerando a disposição das peças (no espaço de exposição) como uma outra obra de arte”, diz ele, em entrevista ao Hoje em Dia. Talvez por conta disso, as obras não estão orientadas pela cronologia. “A relação entre elas está mais por essa questão da posição do que por qualquer ideia prévia de correlação”, argumenta o artista, que ostenta, em seu currículo, passagens pelas bienais de Veneza (1993), São Paulo (1987) e a do Mercosul (2005).
 
 
Flutuação de processos, do simples ao digital
 
 
Antes de chegar à capital mineira, a mostra de esculturas do artista Angelo Venosa passou pelo Museu de Arte do Rio de Janeiro e pela Pinacoteca de São Paulo. “Vamos dizer que a exposição, que teve início em 2012, no Rio, acaba sendo um pouco adaptada a cada lugar por onde passa, inclusive em função da arquitetura dos espaços, e de uma série de coisas. No caso, os três espaços são muito diferentes, mas tem coisas que mostramos desde o início, dentro do desejo de fazer esse panorama, de dar uma olhada no percurso todo desde 1985. E, como disse, as peças não estão dispostas por cronologia ou algum desenho, como diria, didático. Já no MAM, a ideia era de passar um pouco essa noção do contorno”, diz ele, dividindo o crédito da escolha das peças com a curadora, Ligia Canogia.
 
Na verdade, o artista ressalta dois pontos que o interessam sobremaneira. “Colocar peças distantes no tempo e no modo de fazer e averiguar o que têm em comum, apesar das aparências distantes”. Motivo pelo qual, ele aponta uma peça recente (“quando a mostra passou pelo MAM era inédita”). Trata-se de uma peça de grandes dimensões, na cor preta, feita de triângulos de alumínio. 
 
“Acho que ela marca uma passagem interessante de um modo de fazer anterior ao atual. Uma peça costurada com nylon. Ela se inicia com uma maneira de fazer muito simples, inclusive com cartolina, e mais adiante entra o processo digital, um arquivo tridimensional digital. Já a montagem final é artesanal. Ou seja, existe uma flutuação de processos, do mais simples – como fixar com costura, chegar à forma com modelagem com massa – ao digital. Ela (obra) faz uma ponte interessante”, explica o artista.
 
O que, aliás, vai ao encontro das palavras da curadora: “Entre o expressionismo e a geometria, o artesanato e a máquina, entre razão e delírio, Angelo Venosa cria situações fronteiriças, que se alternam do fragmento ao todo, do linear ao informe, do lírico ao fantasmático”. Cumpre lembrar, ainda, que, da capital mineira, a mostra deve seguir para o Recife. 
 
Angelo Venosa – A mostra do escultor será aberta nesta sexta-feira (11), nas galerias Genesco Murta e Arlinda Corrêa de Lima (av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca. Informações: 3236-7400.