Um convite a viagens interestelares, projeções do futuro e ao imaginário de artistas e diretores que fizeram dos anos 50 a era de ouro do cinema de ficção científica. Essa é a premissa da mostra que reúne mais de 40 filmes do gênero no Cine Humberto Mauro, de hoje à 1º de março.

Bruno Hilário, um dos curadores do evento, ressalta a importância da seleção, que destaca não apenas o rico período de produções de ficção científica, mas também o próprio contexto sociopolítico do mundo da época. “Os filmes estão inseridos em um momento histórico muito importante, que é pós-guerra, um período que tem vários elementos como as experiências com bombas atômicas, além de um boom tecnológico”, explica.

Nesse contexto, o curador sublinha a própria didática presente nos filmes, que dialogavam com as inseguranças e questionamentos da época. “As narrativas começaram a adotar dentro de sua estrutura explicações relacionadas à ciência. Pode acontecer um ataque de escorpiões gigantes em uma cidade, por exemplo. Na produção, esse fenômeno será explicado cientificamente”, conta. “Existe sempre um questionamento da ação do homem, de como ela pode ser perversa para si e para a natureza”, observa Hilário.

A conquista do espaço e a vida fora da terra são questões que também não ficam de fora da mostra e reforçam a ligação das produções com questões científicas e tecnológicas. “Um dos filmes pioneiros a trabalhar essas questões é o ‘A Conquista da Lua’, que traz uma temática muito séria e tenta mostrar como seria a possibilidade de uma viagem para fora da Terra”, conta o curador. Ele destaca, ainda, a presença do personagem animado Pica-Pau. “No filme, eles lançam mão dessa figura para explicar questões mais complexas para o público”.

Hilário observa também que, para além das próprias questões relacionadas à época, as obras trazem também questionamentos que se mantêm pertinentes nos dias atuais. “Os filmes fazem parte de um momento de forte perseguição ao comunismo e essas questões de direita e esquerda são polarizadas até hoje. Isso, inclusive, fica bem claro atualmente no Brasil”, sublinha.

Diversidade

A seleção, que traz produções de diversos países, também é um dos destaques apontados pelo curador. “Essas obras de ficção não ficaram restritas aos Estados Unidos. Temos filmes da União Soviética, da Europa e dois filmes brasileiros”, conta. “Um deles é ‘O Homem de Sputnik’ uma sátira do gênero, bem divertida”, diz.

Os “filmes b” – produções de baixo orçamento – também fazem parte da mostra. Para o curador, eles evidenciam a rapidez e a agilidade da produção da época. “Eles eram filmamos em períodos de uma semana, 10 dias. É interessante conhecer e entender esse tipo de obra”, finaliza.

Serviço: Mostra Ficção Científica Anos 50, de hoje à 1º de março, no Cine Humberto Mauro (Av. Afonso Pena, 1.537 – Centro). Entrada gratuita.