Dona de franquias poderosas como “Shrek”, “Madagascar”, “Kung-Fu Panda” e “Como Treinar o seu Dragão”, a Dreamworks já está acostumada a frequentar o top ten das maiores bilheterias com as animações produzidas pelo estúdio, que completa 25 anos de atividades em 2019. 
 
Reunida numa exposição que será inaugurada hoje em Belo Horizonte, no CCBB, esta produção promete novos recordes. Desde que foi apresentada ao público, em 2014, pelo Australian Centre for the Moving Image (ACMI), em Melboune, na Austrália, a mostra já atraiu cerca de 1,7 milhão de pessoas.
 
Na capital mineira, após passar por Rio de Janeiro e alcançar público de 630 mil visitantes, a expectativa é de que “DreamWorks Animation: A Exposição – Uma Jornada do Esboço à Tela” dobre o número mundial. Como ficará em cartaz até 29 de julho, deverá se beneficiar com o período de férias escolares.
 
A mostra, concebida pela ACMI juntamente com a americana Dreamworks, já passou por Cingapura, Coreia do Sul, Taiwan, México e Canadá, mas em nenhum destes países teve entrada franca. Por isso, atrelado ao caráter mais popular, tem grande potencial para se tornar a maior exposição do ano em BH.
 
Uma caminhada pela mostra, durante visita guiada para jornalistas, na manhã de ontem, comprova a afirmação da diretora de produção Anat Meiri, funcionária australiana da ACMI, sobre a principal finalidade desta reunião de 400 objetos de 36 longas-metragens de animação. “O objetivo principal é se divertir!”, avisa.
 
A exposição está dividida em quatro seções: Personagens, Histórias, Mundo e Drawing Room, em que quiosques especialmente projetados permitirão que o público desenhe e crie um curta animado, a partir de tablets de última geração
 
Mesmo quem não pretende ser um entendido no assunto ficará encantado com a percepção da evolução de uma simples ideia para um projeto que envolve milhões de dólares e consome vários anos de produção. Esse é o impacto da primeira sala da exposição, ao revelar como nascem os personagens.
 
São apresentadas imagens de vários deles em traços primários, sem cenários ou detalhes. De acordo com Anat, estes desenhos mais básicos evitam que se gaste muito dinheiro à toa, antes de usar softwares sofisticados e caros. Neste ponto, o mais divertido é notar o que os personagens poderiam ter sido, com formas bem diferentes das que vimos na telona.
 
Shrek era mau
"Testes são produzidos em papel por desenhistas especialistas em personagens, para buscarem definir como eles serão fisicamente, além de saberem a personalidade deles”, registra Anat. Isso fica claro ao observar os primeiros esboços do ogro Shrek, um dos carros-chefe da companhia criada por Steven Spielberg.
 
“Shrek ganhou diferentes definições, começando por feições más, até ganhar aquele jeito amável que está no filme”, observa a diretora de produção. Há ainda várias maquetes dos personagens de “Shrek”, criadas para facilitar a percepção tridimensional. Cuidado que se estende aos cenários, com animadores específicos para este fim.
 
Neste processo, os animadores são os primeiros a rirem dos próprios trabalhos. Uma das curiosidades da mostra são as imagens raras dos profissionais fazendo-se de “cobaias”. Para testar uma expressão ou movimento, eles mesmos se gravam. Isso quando não são enviados para a selva africana, como aconteceu com a equipe de “Madagascar”.
 
Por falar em “Madagascar”, outra cena pouco difundida é exibida num telão, em que Tom McGrath, diretor do filme, mostra um grande story board em papel, explicando cada cena para uma plateia geralmente formada por executivos da Dreamworks. “Se acharem que não irá funcionar, um projeto pode acabar ali”, destaca Anat. 
 
DREAMWORKS

Um dos esboços criados para o personagem do ogro de "Shrek", primeiro grande sucesso do estúdio

 
 
Mostra privilegia os filmes de maior sucesso comercial
 
“DreamWorks Animation” se concentra, fundamentalmente, nos filmes de maior sucesso do estúdio e que renderam continuações. O quarteto formado por “Shrek”, “Madagascar”, “Kung Fu Panda” e “Como Treinar o seu Dragão” é usado para exemplificar boa parte do processo de produção de uma animação.
 
Os principais materiais expositivos de interação com o público se referem basicamente a estes trabalhos. O frequentador poderá, por exemplo, com um simples clic na tela, fazer com que Soluço ou o urso Po deixem de sorrir para fecharem a cara, a partir de um software que altera as expressões deles.
 
A cereja no bolo da exposição também aponta para esta preferência: um pequeno cinema em 180 graus, instalado no pátio do CCBB, nos faz voar nas costas do dragão Banguela por toda a ilha viking de Berk, durante três minutos. Por sinal, no teto do espaço, há uma reprodução do animal.
 
Assim, sobra muito pouco para outros projetos que entraram para a história da Dreamworks, como “Formiguinhaz”, a primeira animação em longa-metragem, lançada pela produtora em 1998. Também não recebem tanta atenção filmes como “O Príncipe do Egito”, “O Espanta Tubarões”, “Por Água Abaixo”, “Bee Movie” e “Megamente”.
 
Proximidade
À reportagem do Hoje em Dia, Anat confirmou que, pelo fato de serem mais populares, as quatro franquias se tornaram um foco, buscando uma proximidade maior com o público. Outra questão é que, de acordo com a diretora, o fato de terem sido feitos mais de um longa com os mesmos personagens permite que se perceba melhor o desenvolvimento da tecnologia. 
 
Na medida do possível, a mostra tem buscado incorporar também as produções mais recentes da Dreamworks e que não estavam no projeto original. É o caso de “Trolls”, lançado no final de 2016. “O estúdio não libera os objetos dos filmes em desenvolvimento ou que acabaram de ser feitos”, explica Anat.