Quem achava que, ao se fechar os museus à visitação do público devido à disseminação do coronavírus, os coordenadores não teriam o que fazer, está redondamente enganado. Ainda que remotamente, a rotina deles continua praticamente a mesma: reuniões constantes com a equipe para manter os espaços “vivos”, indo além de suas paredes a partir do mundo virtual, como sites e redes sociais.
 
“A função principal de nosso museu é a comunicação do patrimônio cultural. Nosso desafio é, mesmo fechado, manter a chama acesa, manter a vontade de continuarem acessando o nosso conteúdo”, registra Sérgio Rodrigo Reis, que está à frente do Museu de Congonhas. O espaço tem uma característica curiosa: o verdadeiro museu está do “lado de fora”, com o Santuário do Bom Jesus do Matosinhos.
 
“Nossa vocação é ser um potencializador das ações e do patrimônio onde estamos inseridos, promovendo um diálogo com o que está do lado de fora”, observa o diretor, ao ressaltar que esse trabalho aliado à internet já vinha sendo feito por meio do programa “Museu para Todos”, focado, segundo ele, na ampliação do público, com a produção de conteúdo específico para determinadas faixas etárias.
 
A Casa Fiat de Cultura prepara série que relembrará suas principais obras, exposições internacionais e mostras temáticas, com apresentação nas redes sociais. A primeira será “Caravaggio e seus Seguidores”, apresentada em 2012
 
“Muitas vezes a pessoa passava pelo sítio, pelas estátuas dos 12 profetas, pelos passos da Paixão de Cristo e pela basílica, olhava e ia embora, sem entender o que há por trás deles, que é muito mais do que aparentam. São objetos de fé, de devoção e têm uma característica universal”, assinala. Por isso, alguns vídeos foram feitos para chamar a atenção daquilo que “os olhos não alcançam”.
 
Na visita imersiva disponível no site eravirtual.org – hoje uma ferramenta comum em várias homepages de museus, sendo o de Congonhas um dos primeiros a fazer no Brasil –, o espectador pode ter detalhes de certos ambientes que não podem ser acessados fisicamente. “O interior das capelas, por exemplo, é visto por uma abertura, prejudicando muito o entendimento sobre as estações da Paixão de Cristo”, explica.
 
Reis sublinha que muitas ações estão sendo feitas para diferentes gradações de conhecimento, desde filmes curtos para o YouTube até jogos de pergunta e resposta no Facebook. “Desde que abrimos o museu temos pensado em como podemos ser diferentes. Em como torná-lo interativo e interessante, usando o universo digital de maneira racional, criativa e sempre oferecendo conteúdo novo”.
 
 
memorial

Visita virtual está disponível na página do museu, que também oferece outros conteúdos 

 
 
Memorial Minas Gerais prepara vídeos com artistas 
 
O Memorial Minas Gerais Vale, localizado na Praça da Liberdade, também abriu ainda mais a porta “virtual” neste momento de isolamento social. Uma das primeiras ações da diretoria foi chamar a atenção, no site e nas redes sociais, para os conteúdos gerados.
 
O resultado tem sido além das expectativas, de acordo com o gerente do museu, Wagner Tameirão. No ar desde a quarta-feira da semana passada, a visita imersiva já teve cerca de 30 mil views até a noite de terça-feira.
 
“A visita virtual já existia, mas a destacamos na página, porque neste momento ela faz muito sentido. A mesma coisa vale para o nosso acervo de vídeo que está sendo oferecido, a partir da ação #MemorialValeNosUne”, explica.
 
Entre as postagens estão programadas nesta semana estão um vídeo de incentivo à arte milenar de bordar e o vídeo do show de Dexter, gravado em 2019, quando o artista esteve no Memorial parar cantar e bater papo com o público. 
 
A ideia não é ficar restrito ao acervo. Tameirão adianta que o passo seguinte será convidar artistas de diversos segmentos para realizarem vídeos de, no máximo, dez minutos. “Como estão parados, sem receber, é uma forma de remunerá-los”, registra.
 
São ações que, na ótica do gerente, manterão o contato com o público ativo. “Eles têm curtido nossas páginas e vamos oferecer mais atividades, já que é um ambiente que ‘pode’ muita coisa, ajudando a tornar o espaço mais ainda sem paredes”.