As histórias de Larissa Machado, Priscila Xavier e Cleo Barb têm em comum a paixão pela costura, um desejo de ser mais que um cabide de tendências da moda. Em momentos distintos, cada uma delas sentiu necessidade de criar a própria roupa: ora porque não encontravam modelos que lhe satisfizessem (ou coubessem), ora porque sentiram urgência de vestir algo compatível com seu estilo.

“Na adolescência eu mexia em quase todas as minhas roupas. Eu picotava tudo: comprava e alterava. Ajustava na mão, até que um dia minha mãe e minha tia ficaram com pena e me deram uma máquina de costura de presente”, conta Larissa.

Hoje, aos 25 anos, a belo-horizontina é dona do “Cabrada Peste”, um ateliê bem pequenino, mas que atende a uma clientela que, assim como ela, quer vestir peças com as quais se identifiquem. “Cabra da Peste é um termo que gosto muito. Significa uma pessoa forte, valente. Gosto de pensar que meu trabalho é um reflexo dessa impressão”.

PRIMEIROS CORTES

Quando começou a publicar fotos das bolsas de tecido que fazia em álbuns do extinto Orkut, Larissa mal podia imaginar a grata surpresa que o futuro lhe traria. “Nessa época comecei a receber pedidos para fazer roupa.

Depois de algumas recusas, topei morrendo de medo. Ainda hoje, cada pedido é um desafio, mas a roupa mais tensa da minha vida foi o vestido de casamento da minha irmã. Ele foi o primeiro vestido de noiva que eu fiz e era o meu presente de casamento. Eu fiquei tensa até o último botão. Na hora de fechar o vestido eu pensava: ‘meu Deus, isso tem que dar certo’”, recorda aos risos.

“Nunca fiz um curso de corte e costura. Aprendi na marra, ao observar onde ficava o corte de cada coisa, na tentativa e no erro. Hoje atendo a um público absolutamente variado, clientes de Belo Horizonte, São Paulo e até Brasília”, comemora.

“As pessoas perguntam se eu tenho a intenção de fazer uma loja e garanto que essa não é minha pretensão. Gosto muito de conversar com minhas clientes e não quero nada em série. Eu quero criar uma coisa feita para você e entender o que você quer. Aqui é a minha pequena fábrica de sonhos”.

Na contramão do modismo, estilosos fazem a própria roupa

 

À procura da costura perfeita

Eu saía pelas ruas de Belo Horizonte à procura de roupas com as quais eu me identificasse e como era difícil encontrar”, recorda Cleo Barb, estilista que coordena a criação e o desenvolvimento de moda em seu ateliê – espaço em que cria roupas sob medida, customizadas e também faz reformas em peças.

“Na faculdade eu já fazia minhas experimentações e as pessoas sempre me paravam para perguntar onde tinha conseguido determinada peça”, recorda ela. “O problema de tempos atrás continua sendo o mesmo nos dias de hoje: as modelagens não encaixam no corpo da brasileira. Temos muitas curvas e isso é problema quando estamos à procura de roupas que nos caiam bem. Minhas clientes não estão satisfeitas com o que encontram por aí. A qualidade dos produtos ofertados tem, ao longo dos anos, deixado a desejar”, explica.

Assim como as colegas, Priscila Xavier, 29 anos, faz as próprias roupas desde a adolescência. “Sempre tentei conciliar conforto e estilo. Hoje há uma valorização de estilos, gostos e tamanhos no mercado, mas, ainda assim, usar o que é feito com suas medidas não tem preço”, garante ela.

“A roupa sob medida acaba saindo mais cara do que uma que você compra em lojas de departamentos. No entanto, ela é autêntica e, o melhor, foi feita para vestir o seu corpo. A cliente que me procura não quer usar o que está na moda, está à procura de peças cada vez mais pessoais”, explica Cleo.

Os tecidos utilizados pelas moças são todos comprados em armarinhos de Belo Horizonte, tudo para atender aos mais variados pedidos. “Até bolsos em cuecas novas eu já fiz. Tudo em nome da criatividade e ao gosto e necessidade do cliente”, garante Priscila.

Assim como as colegas, para Larissa a aposta no sonho deu tão certo que ela nem pensa em investir em outro negócio. “Hoje eu só penso em expansão e te garanto que conseguir viver disso é muito bom”.