O primeiro personagem que Rafael Grampá desenhou na vida, ainda criança, foi o Batman. Quis o destino que, já como ilustrador de renome internacional, voltasse a reencontrar o Homem-Morcego no papel, desta vez numa publicação oficial da DC Comics, “casa” do super-herói desde quando foi criado em 1939, por Bill Finger e Bob Kane.

Ao lado de Frank Miller, autor de uma das melhores revistas com o protetor de Gotham City (“O Cavaleiro das Trevas”, lançada em 1986), Grampá produziu “Cavaleiro das Trevas: A Criança Dourada”, que chegou às bancas em dezembro passado. “O fascínio por Batman segue um mistério, até mesmo para quem trabalha com ele”, assinala o ilustrador.

Fascínio que será comprovado neste sábado, quando acontece o “Batman Day”. Os fãs, já alvoroçados com as notícias da retomada das filmagens do longa protagonizado por Robert Pattinson (elas tiveram que ser interrompidas pelo estúdio após o ator ser diagnosticado com Covid-19), ganharão mais motivos para exercer a “batmania”.

Várias ações serão realizadas pela editora Panini, que lança as revistas com o Cavaleiro das Trevas no Brasil. Grampá participará de uma conversa on-line, às 18h, no Facebook do grupo, em que estarão presentes também o colecionador Ivan Costa, o gerente editorial Leonardo Raveggi, o Editor Sênior Levi Trindade e o comediante e fã Fernando Caruso.

Para Costa, o personagem é visto como um exemplo de busca da excelência física e intelectual para defender uma causa, que é combater o crime em Gotham City. “Em tempos recentes, isso ganhou outros contornos, como o aspecto de superação de traumas – a morte dos pais, principalmente – que encontra paralelo nas discussões atuais sobre transtornos de diferentes naturezas”, observa o colecionador.

Ainda dentro do “Batman Day”, a Panini lançará uma revista especial exclusiva, com dois momentos memoráveis do Homem-Morcego, feitos pelas mãos de Tom King, Mike W. Barr, Mitch Gerads e Alan Davis. Raveggi adianta várias publicações com Batman para os próximos meses, entre elas duas histórias sobre a relação dele com o mordomo Alfred.

Edições relacionadas à “batfamília”, como Asa Noturna, Batman & Os Renegados, Mulher-Gato, Detective Comics e Arlequina também ganham destaque neste final de ano. Arlequina e Hera Venenosa aparecerão juntas numa minissérie pela roteirista Jody Houser e pela desenhista brasileira Adriana Melo.

Para quem está começando agora a entrar no universo do super-herói, Costa registra que, nos quadrinhos, dois momentos cruciais são a saga “O Cavaleiro das Trevas” e “Batman Ano Um” (1987), de Miller e David Mazzucchelli. Além da série “A Queda do Morcego” (1993-1994), quando o personagem é vencido pelo vilão Bane.

Entrevista / Rafael Grampá

Como foi trabalhar ao lado de Frank Miller em The Golden Child? Foi um desafio dar continuidade a um clássico?  
Nos conhecemos em 2015 em um jantar em São Paulo. Fizemos brainstorms dos principais elementos dessa nova saga e de seus personagens, uma vez que esses elementos da nova saga foram montados, que as conversas sobre personagens, história e universo foram concretizadas, e as primeiras referências, esboços e personagens foram desenvolvidos, sempre em conjunto.

Você conseguiu adicionar elementos seus neste trabalho?
Sim, sou um grande fã de Frank e fã de 'Cavaleiro das Trevas", e com formação em direção de arte. Eeu sabia que precisava envolver a arte de Frank no meu trabalho para manter o legado e respeitar o visual dessa saga épica. Comecei a experimentar uma maneira de misturar algumas das técnicas de Frank com meu estilo, com o objetivo de dar aos fãs um verdadeiro livro de Cavaleiro das Trevas.

Já gostava do personagem? Na sua opinião, por que Batman exerce até hoje tanto fascínio?
Sim, sempre gostei do Batman. Acredito que tenha sido o primeiro personagem que desenhei quando criança. O fascínio pelo Batman segue um mistério, até mesmo para quem trabalha com ele. Talvez seja esse o elemento que exerça o seu magnetismo, o mistério. E o visual dele é incrível e único, então ajuda bastante!