São muitas perguntas que permanecem ao final de “The Old Guard”, longa-metragem de ação disponível a partir desta sexta (10) na Netflix. Com uma continuação já garantida pelos produtores, esta primeira obra tem sabor de aperitivo, nos preparando para mergulhar na história de seus personagens no próximo filme.

Baseado uma graphic novel de Greg Rucka, publicada em 2017, “The Old Guard”  mistura “Highlander – o Guerreiro Imortal” (1986) com a franquia “X-Men”, juntando dois elementos que ajudam a construir a espinha dorsal: quatro protagonistas cujos dons especiais (a imortalidade)  fazem deles aberrações da sociedade.

Uma das cenas mais interessantes do filme acontece próximo ao clímax, quando  um pesquisador descortina um pedaço importante do passado dos personagens, ilustrando cada ação destes seculares guerreiros imortais com um desdobramento essencial para a história da humanidade.

Uma chave mística que é apenas pincelada neste primeiro capítulo. Estariam cumprindo algum desígnio que eles mesmos desconhecem? O quarteto parece não estar muito interessado nisso, apresentando-se primeiramente como mercenários – os 20 minutos iniciais são uma cópia de vários filmes deste sub-gênero.

Entre os elementos comuns, estão o fato de não saberem fazer outra coisa a não ser empunhar um arma e personagens angustiados com um cenário geopolítico de difícil compreensão, em que bandidos e mocinhos parecem estar do mesmo lado. Este lado “criminoso” é apenas uma capa, como se mal dessem conta do valor deles.

A maior diferença entre “Highlander” e “The Old Guard”, pelo menos neste primeiro episódio, é justamente a falta de um quê fantástico. Enquanto cada cena de ação em “Highlander” se transforma num embate épico, na produção da Netflix as brigas são mais cruas, com muita pancadaria e sangue.

Os dois filmes, no entanto, se assemelham bastante ao mostrarem a imortalidade como fardo, como a impossibilidade de se criar relações duradouras. Nesta matéria, “The Old Guard” se aproxima de “X-Men”, com os protagonistas se unindo para enfrentar outro Mal: a ideia de  servirem de cobaia para experimentos científicos.

Na adaptação dos quadrinhos, a produção se ressente de ter encurtado alguns bons momentos e se alongado em outros que pouco acrescentam à narrativa. Charlize Theron, que já havia brilhado “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015), prova mais uma vez suas qualidades numa fita de ação, conduzindo o grupo como um capitã e matriarca.

Veja o trailer dublado: