Filmes realizados por plataformas de streaming podem ser considerados produtos de cinema e, desta forma, concorrer ao Oscar? Esse debate foi intenso no início de 2019, depois que “Roma”, a obra-prima do mexicano Alfonso Cuáron, roubou a cena do mais importante prêmio da indústria cinematográfica, mesmo sendo produção da Netflix. Perdeu para “Green Book” na categoria principal, mas levou em três, incluindo Melhor Diretor. 

Por mais que grandes diretores como Steven Spielberg contestem a presença do streaming no Oscar – defendendo que as plataformas produzem material para TV e não para a telona –, é bem possível que a Netflix volte a roubar a cena no Oscar, cujos indicados serão anunciados no dia 13. Três filmes da plataforma (“O Irlandês”, “História de um Casamento” e “Dois Papas”) concorrem na principal categoria do Globo de Ouro, Melhor Filme de Drama. Há uma expectativa no mercado para que esses filmes também se destaquem no Oscar, especialmente “O Irlandês”, de Matin Scorsese. 

“Não sei se a Academia entendeu a contribuição do streaming para cinema, mas os diretores já compreenderam que as plataformas contribuem muito para a indústria cinematográfica. Se não fosse assim, Martin Scorsese, que defende o cinema com unhas e dentes, não teria feito um filme para a Netflix”, explica a jornalista Carolina Braga, criadora do site Culturadoria. 

“Inclusive, acho que ‘O Irlandês’ tem a duração de três horas e meia e fidelidade à trajetória do cineasta para mostrar que é possível fazer cinema dentro da plataforma”, completa.

Para a especialista, é natural que a Academia passe a dar mais atenção aos filmes da Netflix, mas dificilmente uma obra bancada pela plataforma irá vencer na categoria de Melhor Filme – ao menos, por enquanto. “O grande desafio desses filmes da Netflix, neste momento, é competir com ‘Coringa’, o melhor longa da temporada”. 

Brasileiros

“A Vida Invisível”, de Karim Aïnouz, representante brasileiro na corrida pelo Oscar, não entrou para a lista de pré-selecionado em língua estrangeira. Mas poderemos ter representantes na premiação. “Dois Papas”, um dos destaques da Netflix, foi dirigido por Fernando Meirelles e pode ganhar indicações. Também há expectativa sobre o documentário “Democracia em Vertigem”, lançado pela mesma plataforma.

O longa-metragem, da belo-horizontina Petra Costa, consta da lista de 15 pré-indicados para a categoria Melhor Documentário. “É um grande filme. Gosto muito da maneira com que a Petra se coloca dentro da história, como ela faz uma relação entre questões pessoais e a situação política do país”, afirma Carolina. 

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