Para tirar dúvidas de crianças sobre o coronavirus, em seu programa veiculado no “Fantástico” no último domingo, o médico Drauzio Varella recorreu a ilustrações de uma publicação digital recém-lançada, coordenada pelo Fórum Mineiro da Educação Infantil da UFMG.

Neste espécie de carta endereçada à petizada, vários ilustradores mineiros deram a sua contribuição sobre o que representa a pandemia e os cuidados que devem ter. “Como explicar para a criança algo tão difícil, sobre morte e afastamento? A arte tem essa função”, registra Marilda Castanha.

Nesta data em que se comemora o dia do desenhista, ela é categórica ao dizer  que a arte nunca foi tão importante como agora, seja para “driblar um movimento autoritário”, seja para aplacar a dor, “em que a sensação de morte parece nos rondar”.

Uma das mais importantes ilustradoras do país, Marilda observa que não é por acaso que artistas, entre eles aqueles ligados à literatura, estão realizando lives neste período de quarentena. “A arte é uma válvula de escape, um afago para a alma”, assinala.

“Carta às Meninas e aos Meninos em Tempos de Covid-19” reúne 11 ilustradores – de Minas participam também Nelson Cruz e Anna Cunha. “O texto é muito poético e simples, explicando de forma sincera e inteligente o que está acontecendo, como o fato de poder ver os avós e os professores”, destaca.

Em sua ilustração, Marilda mostrou várias pessoas num espaço fechado que lembra uma casa, onde uma criança busca se comunicar com os vizinhos com bolhas de sabão. “Cada ilustrador abarcou um aspecto, como mostrar os professores como heróis”.

Mariana Massarani ainda se lembra da primeira ilustração que fez para o “Jornal do Brasil”, em 1988. “Era uma matéria sobre ‘Tristão e Isolda’. Foi um sonho trabalhar lá, uma grande escola. Aprendi o desenho mais rápido, o traço mais econômico”, lembra.

A pedido da Editora do Brasil, ela acaba de disponibilizar um making of das ilustrações que fez para “O Livro Maluco das Poções Mágicas”, do escritor mineiro Leo Cunha. Nele, Mariana mostra as suas inspirações e os materiais utilizados.

Os pedidos  para comentar em viva voz sobre o seu trabalho, ela não gosta muito. O seu negócio é desenhar. Por isso gostou tanto de realizar o making of, assim como o trabalho feito para a Companhia de Letras, em que ilustra sua visão sobre a quarentena, a ser postado no instagram da editora.

Cunha é só elogios para Mariana: “Ela foi surpreendente (no livro) e me fez reconstruir o próprio texto. Mariana  criou detalhes que não estavam no texto original e que resultaram num clima muito rico,  inspirando-me a criar dois novos trechos”.