Para além da contestação política, “criar o mar” foi a ambição lúdica de um dos movimentos socioculturais mais transformadores de Belo Horizonte na última década. E assim canta Nobat em “praia_da_estação”, debruçando-se de forma deliciosamente poética sobre a ressignificação afetuosa do caótico cotidiano urbano. A música integra o terceiro disco do cantor e compositor mineiro, que tem despontado como um dos nomes mais criativos da cena independente.

Intitulado “Estação Cidade Baixa”, o álbum será dividido em três EPs, cada um com três músicas. No primeiro, “Cidade” – que ainda conta com as faixas “mar_ria” e “maletta” –, Nobat passeia pelos terrenos e reflexões da urbe. “A música ‘praia_da_estação’ fala sobre a chance que a Praia deu a BH de se reinventar, de abrir um mar no centro, de aproveitar a loucura e promover o encontro”, diz o artista. “Já ‘mar_ria’ diz sobre esse desespero do mineiro de  sair da prisão das montanhas e procurar esse lugar da deriva, que é o mar”, reflete.

Já “maletta”, música do parceiro Tiago Tereza, passeia por um amor urbano e possível. “É o sonho de morar com a pessoa amada no Maletta e poder ir para o Duelo de MCs à pé no domingo”, pontua Nobat, lembrando que o EP será lançado na próxima quinta-feira. As outras duas partes, “Estação” e “Baixa”, têm lançamentos previstos, respectivamente, para os dias 16 de outubro e 17 de novembro. “Vamos lançar ‘Estação’ num show intimista, que será transmitido por streaming. Depois, lançamos ‘Baixa’ e o disco cheio num show grande, que deve acontecer na rua”, adianta, ressaltando que o disco tem produção assinada por Leo Marques.

O artista explica que a ideia de desmembrar o álbum partiu de uma observação temática.  “Vi que tinha um conjunto de músicas criadas em torno de distintos universos conceituais, mas que se amarram  esteticamente”, ressalta Nobat. “Em ‘Estação’, as canções tratam sobre a vida e a morte, mas de  forma otimista. ‘Baixa’ tem faixas mais densas, mas com olhar renovado, diferente da melancolia de ‘Novato’”, afirma, citando seu segundo disco.

Para Nobat, em tempos trevosos é preciso buscar micro-revoluções pessoais. “Somos uma geração potente, que está criando novos processos nesse mundo automatizado. Processos que podem nos levar a ser mais empáticos, que podem nos transformar. É fundamental que tenhamos fé nesse tempo”.