Diferentemente de outros filmes que registram garotas de países muçulmanos e extremamente autoritários que lutam para ter uma voz e fazer suas escolhas, a história de “Nojoom, 10 Anos, Divorciada” se aproxima mais da cultura ocidental.

Disponível em várias plataformas de video on demand, o longa-metragem iemenita (por si só, já uma curiosidade, pois o país asiático não tem uma produção conhecida) aponta o dedo para uma discriminação revestida de tradição religiosa.

Como já diz o título, Nojoom é uma menina levada precocemente ao casamento, rompendo bruscamente sua infância, como uma das milhares de crianças que, a cada ano, são entregues por seus pais em busca do paraíso (“Case-a aos oito anos e não haverá danos”, diz a tradição).

História real
Baseado em fatos reais, que vieram a público em 2008, quando Nojoom fugiu do marido para ir a um tribunal e pedir divórcio, o filme não vilaniza a “autoridade” masculina. Tanto o pai quanto o marido da menina são tolos, obedientes cegos de um pensamento milenar.

O discurso de “Nojoom” sublinha a ignorância e o fato de ser gente do campo, o que pode soar como uma desculpa para atos bárbaros. Não se questiona o porquê de o governo iemenita fechar os olhos para a questão, dando autonomia às comunidades do interior.

O filme não dá conta da complexidade do tema, ingênuo não só na sua abordagem como também em sua realização, com uma narrativa que nos parece dramatizada, sem que os personagens consigam passar uma verdade, importando somente o conhecimento do caso.