SÃO PAULO – Seu Jorge teve uma “epifania” durante as filmagens da série “Irmandade” num presídio em Curitiba. “Estávamos numa ala desativada, mas os presos nos assistiam (das janelas). E gritavam ‘Representa nois’”, registra o ator, durante coletiva de lançamento da série nacional da Netflix, ontem (9), em São Paulo.
 
A série de oito episódios, feita em parceria com a produtora paulista O2, será disponibilizada na plataforma de streaming a partir do dia 25. Seu Jorge faz um líder de uma facção criminosa no presídio, a Irmandade. Mas é a partir da irmã do personagem, uma advogada que tenta ajudá-lo, que a narrativa se desenrola.
 
Seu Jorge observa que o período que passou filmando no presídio foi importante para pensar o valor da liberdade. Quando o ator Pedro Wagner destacou a sensação de alívio a sair do local após fazer as cenas, Seu Jorge emendou que esse sentimento se devia à privação de liberdade que presenciaram. “Passamos a entender o quão valioso é poder ir e vir”, destaca.
 
Os próprios presos serviram como inspiração para o ator. “Compor o Edson não foi fácil. Tive que entender todo aquele universo, aquela linguagem. Não sabia como era o sistema carcerário e ele é de São Paulo (Seu Jorge é carioca). O Mano Brown (do Racionais MCs) falava que eu tinha que pegar a prosódia... Tudo foi muito intenso”.
 
Criador da série, o que nos Estados Unidos chamam de showrunner – responsável por todas as etapas do projeto, do roteiro à finalização –, Pedro Morelli explica que a parceria da produtora O2 com a Netflix surgiu há dois anos. “A Netflix nos procurou com alguns temas que gostaria de tratar, e o que mais me atraiu foi a questão da facção criminosa, passando a desenvolver a história”, registra.
 
Morelli conta que buscou uma abordagem diferente, que não trouxesse o ponto de vista do policial ou do líder da facção. “Resolvemos contar esta história a partir da ótica da mulher, de alguém que poderia estar dentro e fora da prisão”, explica.
 
É justamente por isso que a série é passada em 1994, “antes do telefone celular, já que as mulheres, naquela época, tinham um papel importante, levando mensagens para dentro da prisão”. Fatos históricos como a conquista do tetracampeonato na Copa do Mundo e a morte de Ayrton Senna são aproveitados na trama.
 
(*) O repórter viajou a convite da Netflix
 
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