A capa do recém-lançado “Strut” (Sony) deixa claro: Lenny Kravitz chegou aos 50 anos com um corpinho de deixar muitos moleques com inveja – e muitas mulheres suspirando. Para mostrar como a imagem continua sendo importante para a carreira, há um encarte com um belo pôster. 
 
Mas o que importa realmente é a música, não é? Nesse quesito, o artista americano também se sai muito bem. Em “Strut” o músico volta a explorar o rock de forma mais pesada e com uma pegada mais atraente – assim como foi em “Are You Gonna Go My Way”, em 1993. A guitarra é a protagonista do trabalho, mas sem deixar de lado a verve dançante tradicional das composições de Kravitz. Ao final da audição, fica claro quanto o artista se divertiu ao tentar voltar aos rocks marcantes dos anos 90. 
 
Por sinal, se fosse há 20 anos, muitas das 12 faixas de “Strut” poderiam ser escolhidas para tocar no rádio – uma pena que o rock não tenha mais a mesma importância no mercado. A faixa que abre o álbum, “Sex”, é um bom exemplo de música que pegaria pessoas de diferentes idades e gostos: é um rock cheio de pegada, com bons riffs, mas que poderia ser tocada em uma pista de dança.
 
Há momentos em que Kravitz bebe da fonte de um rock mais básico e direto, como “Dirty White Boots” (com direitos a vários “come on” e “yeahs”) e a faixa-título. Mas também tem diálogos com o blues – como na bonitinha “Happy Birthday” e na romântica “Ooo Baby Baby”. 
 
Mas “Strut” também tem canções que fogem do rock cru e contam com arranjos mais bem elaborados. Algumas faixas são bem enriquecidas por metais, enquanto a romântica “She’s a Beast” ganha violino, cello e viola – um contraposição a um título forte.