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ADAPTAÇÃO – A atriz Ra Mi-Ran faz o papel de uma política que, depois de receber reprimenda da avó no leito de morte, não consegue mais mentir

As comédias representam as maiores bilheterias do cinema brasileiro, mas a circulação delas é apenas no mercado interno, sem exibição em outros países. O sucesso do gênero, porém, não tem passado despercebido aos olhos estrangeiros – especialmente aos mais puxados.

A Coreia do Sul, que vive um boom de sua produção, coroado recentemente com o Oscar de melhor filme para “Parasita”, tem investido nos remakes. Após adaptar “De Pernas pro Ar” em 2015, o país asiático acaba de pôr nos cinemas a versão de “O Candidato Honesto”.

Lançado em 2014, com Leandro Hassum vivendo um político corrupto que, em plena campanha presidencial, começa a falar todas os podres, devido a uma mandinga, o longa-metragem brasileiro foi realizado pela produtora Camisa Listrada, do mineiro André Carreira.

“Existe um mercado atuante de remakes e as comédias brasileiras têm circulado bem aí”, observa Carreira, contente com os números da primeira semana do “Candidato” coreano – o mais visto do período, com cerca de 900 mil espectadores.

Aliás, o artigo presente no título asiático foi alterado de “O” para “A”, mudando o sexo do protagonista. “Eles tiveram autonomia total no roteiro. Muitas das piadas do nosso filme só fazem sentido para nós, como as referências aos escândalos de corrupção e aos políticos”, registra.

Este humor local é o responsável pelas altas bilheterias no país e pela não circulação no exterior. “As comédias não ‘viajam’ devido à dificuldade de se entender as piadas. E isso não acontece só com a gente. Vale para o cinema francês, italiano...”, salienta.

Hoje há agentes específicos que trabalham com títulos para adaptações. “Esse mercado existe e é muito atuante. Não tínhamos tanta ideia disso”, afirma o produtor, citando “Se eu Fosse Você” e “Mulher Invisível”. “Abre muitas possibilidades, ajudando a rentabilizar (o filme)”.

Em negociação com outros países, ele acredita que o sucesso na Coreia impulsionará novas adaptações, que já teriam garantidas uma parte 2 – a continuação brasileira foi lançada em 2018. Um terceiro filme, por sinal, está nos planos da Camisa Listrada: “Depende da inspiração do roteirista e do cenário político, que sempre nos surpreende”, avisa.