A escalação de um diretor de animações para dirigir “O Chamado da Floresta”, em cartaz nos cinemas, reflete numa preocupação com as cenas de transição e ao que acontece ao fundo de cada plano. Em seu primeiro longa de ficção, Chris Sanders (“Como Treinar o Seu Dragão”, “Os Croods”) concebe um visual instigante e dinâmico, aproveitando muito bem o cenário gelado do Alasca.

Uma das melhores sequências é quando o cão protagonista, Buck, se junta à matilha que puxa um trenó, percorrendo vários ambientes, da noite à aurora boreal. E talvez possamos colocar na conta do animador o fato de o cachorro ser tão humano, com características que nos conquistam por sua personalidade benevolente e pela veracidade (há várias cenas em computação gráfica).

Baseado no livro publicado em 1903 por Jack London, já levado outras duas vezes às telas, em 1972 e 2009, o filme é uma versão canina da clássica jornada de aprendizado, em que Buck é afastado forçosamente de um lar rico para viver experiências que jamais teria, colhendo ensinamentos que porão à prova a sua coragem e compaixão, além de encontrar o seu verdadeiro habitat.
 
Protagonismo

Embora dê vida a um personagem cativante, Harrison Ford vira um mero coadjuvante para Buck, nos fazendo lembrar de outros filmes que enalteceram a figura animal, como “Lassie” e “O Corcel Negro”, dentro de um sub-gênero que perdeu força com a predominância dos efeitos especiais. É preciso dizer, no entanto, que, sem os recursos de computação gráfica, Buck não teria o mesmo carisma.

A emoção toma conta em diversos momentos, especialmente quando o cão dá lições de humanismo em seus donos, mas Sanders nunca deixa o filme cair no melodrama. A narrativa não perde de vista a trajetória feita por Buck, que saiu de um confortável lar na cidade grande para se encontrar na floresta, reavivando os mais antigos instintos. O chamado também é para nós, para uma vida mais simples e generosa.