Presença resistente no grafite mineiro, as quatro integrantes do “crew” Minas de Minas levantam voo para mostrar o trabalho em rede nacional, nesta quarta-feira (15) pela manhã, e ao vivo, no “Encontro com Fátima Bernardes”, da Rede Globo.

O grupo, que surgiu em 2012, também prepara participação em “ações publicitárias”, em breve, pelas ruas. Não só. O quarteto ainda está com a exposição “Minas de Minas Crew”, no Centro Cultural Alto Vera Cruz (rua Padre Júlio Maria, 1577), até 15 de agosto. A mostra coletiva traz telas com o traço da “street art” feito pelas quatro garotas.

Força no esmalte

O “crew”– ou “grupo”, na linguagem do grafite – é formado por “Krol” (Carolina Jaued), “Musa” (Louise Libero), “Nica” (Nayara Gessica) e “Viber” (Lidia Soares). São delas as mãos que ostentam unhas com dois tipos de tinta: rosa e vermelho, que a manicure aplicou; e aquele que sai das latinhas spray. “Só que as unhas estão sempre uma calamidade”, brinca Viber, sobre os “ossos do ofício” de grafiteira.

As grafiteiras de Minas foram convidadas para discorrer, no programa, sobre o que as faz, ainda hoje, mesmo com a arte do grafite tão disseminada pelo mundo, serem tão “diferentes”. “O fato de uma mulher estar na rua, grafitando”, expõe Krol. De fato, o número de mulheres que abraçaram essa arte ainda é pequeno se comparado ao de homens.

“As mulheres ainda têm pouca força no grafite. Especialmente em BH, onde há poucas grafiteiras em atividade. Assim, unimos força, já que a gente tinha bastante tempo no grafite. Nosso projeto é continuar com os murais para os quais elaboramos vídeos”, diz Krol, sobre a divulgação da criação.

Algumas imagens que vão ao ar nesta quarta-feira (15), no “Encontro com Fátima Bernardes”, foram gravadas em BH. Mas lá, no Rio, elas estarão ao vivo, com um painel que estão fazendo desde esta terça-feira (14), para decorar o palco do programa, que vai ao ar às 10h50.

Trabalhadeiras

A idade das integrantes varia de 26 a 29 anos. E como típicas mulheres contemporâneas, alternam jornadas de trabalho (duplas e até triplas) para se manterem. Krol, por exemplo, tem uma grife. Viber é artista plástica. Musa também empresaria uma loja, mas de produtos para grafite. E Nica, além de maquiadora profissional, trabalha em uma loja no ramo de fantasias. Frequentemente, o grupo faz oficinas sobre a arte das ruas para mostrar o traço feminino – de flores, sonhos, mas, também, muita conscientização.