O deserto e o futuro azul do videoartista Eder Santos

Altino Filho - Do Hoje em Dia
20/01/2013 às 08:38.
Atualizado em 21/11/2021 às 20:48
 (Divulgação)

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Eder Santos prepara para exibir ainda neste ano o longa “Deserto Azul”. Segundo o artista, será “um dos poucos filmes de ficção científica brasileiros”. De produtora nova, a Trem Chic, com novos sócios, e pela primeira vez no ramo dos embutidos e dos defumados com a charmosa Salumeria Central, Eder vive um novo momento em sua vida. O que ficou para trás ele chamará, a partir de agora, de “Belohorizontem”. O que importa para Eder Santos é o futuro, mesmo que, na tela, ele aconteça daqui a milhões de anos. A seguir, um bate-papo com um dos mais importantes videoartistas do estado. Ele fala de hoje, de amanhã e, pressionado pela reportagem, conta também um pouquinho de ontem.
 
Fale um pouco de como tudo começou. Me parece que você tem uma ligação com o teatro e daí vai para o vídeo e se torna uma referência do audiovisual, primeiro aqui e depois fora. Como foi isso?
 
Uma amiga nossa, outro dia, me disse de um jeito diferente o nome de nossa cidade. Ela disse bem espontaneamente “Belohorizontem”, eu nunca tinha ouvido falar assim de BH mas me pareceu quase que uma coisa do cotidiano.
E como tudo que acontece por aqui nos remete ao passado eu gostaria de eliminar isto desta vez, se possível, de nosso papo.

Eu sei que em minha área não temos esta estória de ser conhecido ou sei lá o que, deveríamos nos apresentar sempre.
Mas como tudo começou e já é um passado de 30 anos, e se eu for me referir ao teatro já seria um passado de 36 anos.
O que fica mesmo distante do mundo digital atual. Mas acredito que nossa cidade precisa deixar de ser um lugar do passado, de uma visão política cultural retrógrada, que constrói museus fantasmas antes mesmo de eles serem inaugurados. Então vamos falar de hoje.
 
Só mais um passadozinho... Eu gostaria de falar um pouco dos seus primeiros trabalhos de sucesso até a abertura – com colegas/sócios – da EmVídeo, produtora que teve uma trajetória extremamente bem sucedida nos anos 90/2000. De onde surgiu a ideia de abrir a Emvídeo e como foi essa época?
 
O nome Emvídeo surgiu de uma necessidade prática de troca de nome de nossa primeira produtora Videocom, esta sim a ideia original, que foi fundada por Eder Santos, Marcus Nascimento, André Luis Prata Amorim e Paulo César em 1979. Emvídeo surge com as duas letras E e M dos sócios fundadores que sempre trabalharam com vídeo. O Paulo Rossi foi um dos caras que mais nos incentivou e que me fez fazer meu primeiro trabalho de “videoarte” sem saber que estava fazendo este produto.
 
Quando você realmente virou artista? Digo, no sentido de não mais ter que trabalhar com a vontade do cliente mas com seu próprio desejo, tanto de criar quanto de investigar novas linguagens?
 
Eu virei artista de videoarte no VideoBrasil. Comecei a enviar trabalhos para o festival a partir de 1986. O festival era muito voltado para a TV experimental e independente. Hoje é uma referência mundial de arte eletrônica. Mas fui mesmo entrar no mundo das artes plásticas com o Nelson Brissa que me convidou para participar do primeiro Arte Cidade.
 
Em retrospecto, me desculpe o excesso de passado, qual foi o grande momento de sua vida como videomaker/videoartista?

Foi há dois anos quando nós acabamos de filmar o Deserto Azul.

Você é sempre citado como um dos artistas importantes de Minas. Onde Minas entra no seu trabalho?
Minas é um complexo ferrífero que não sai do intestino da gente. Não temos no corpo humano como digerir metais. Então Minas vai se depositando dentro da gente. E quanto mais o tempo passa fica mais impossível de tirar Minas de dentro.
 
Como se sente com dono de restaurante, está se divertindo?
 

É isso que é bom de falar, não de “Belohorizontem”. Acho que meus atuais parceiros, tanto na Trem Chic quanto na Salumeria são pessoas jovens e abertas ao que vai vir. Estamos preparando novas ideias e queremos praticar um universo móvel que pode deixar Belo Horizonte mais leve e sem fronteiras.
 
Pra terminar, fale pra gente do seu último projeto – o filme futurista que foi rodado em Brasília – e seus planos para 2013.

O “Deserto Azul” é um projeto que deve ser concluído este ano e vai ser um dos poucos filmes de ficção cientifica brasileiros. E nele me orgulho muito de ter trabalhado com Andre Hallak, Barão Fonseca, Leandro Aragão, meus sócios na Trem Chic. Foi uma energia incrível fazer estas filmagens. E não posso esquecer de falar que Mônica Cerqueira, a pessoa mais importante da nossa cultura audiovisual foi a grande parceira e co-roteirista do filme e também que a participação de Daniel Toledo, ator e jornalista, fizeram acontecer esta ficção científica mineira.

Tem também a turma brilhante que fez o cenário acontecer. E, claro, 11 artistas plásticos, dentre eles nossa querida Adriana Varejão, que nos presentearam com seus talentos no nosso filme.

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