SÃO PAULO - O novo diretor do balé Bolshoi, Vladimir Urin, disse, em entrevista à rede britânica BBC, que tem pela frente "desafios difíceis" e que precisa de tempo para enfrentá-los. 
 
"Só preciso de tempo para entender o básico do que se passou", afirmou Urin, em referência à crise enfrentada pelo Bolshoi desde janeiro deste ano, quando o diretor artístico da companhia, Serguei Filin, sofreu um ataque com ácido. 
 
Urin relativizou o noticiário negativo que se seguiu ao ataque. "Saiu muita coisa que não era verdadeira. Não significa que alguns dos fatos aconteceram -mas frequentemente havia muitos rumores em torno dos fatos e uma avaliação equivocada do que se passava." 
 
"O que é realmente importante para as pessoas que fazem o teatro é o que se verá no palco. Estou certo de que, se a parte criativa da companhia estiver bem organizada, ela ira produzir novos e criativos trabalhos e tudo estará bem", afirmou o novo diretor à BBC. 
Urin, que está no cargo há somente dez dias, disse que os problemas do Bolshoi "já são parte do passado". 
 
O antecessor de Urin no cargo, Anatoli Iksanov, foi demitido pelo governo russo após a onda de escândalos no teatro detonada pelo episódio da agressão. 
 
Em junho, o Bolshoi anunciou a saída do bailarino Nikolai Tsiskaridze, uma de suas estrelas, em conflito aberto com Iksanov e rival de Filin. O bailarino foi acusado pela direção do teatro de ser o responsável pelo ataque, apesar de outro bailarino, Pavel Dmitritchenko, ter sido preso como principal suspeito. 
 
A bailarina Svetlana Lounkina, que fugiu para o Canadá alegando ter recebido ameaças, denunciou em entrevista a "atmosfera ruim" que reinava no Bolshoi.